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IPI pode gerar recorde de vendas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Programado para o dia 31 de agosto, o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) deve gerar uma corrida às concessionárias de Bauru neste fim de semana, o último antes do corte. Com isso, o setor espera registrar o melhor mês de vendas da história, superior até do que julho, que já havia computado números bastante expressivos.

A redução do IPI, em vigor desde 22 de maio, está prevista para acabar neste mês, mas a expectativa, ainda não confirmada pelo governo, é de prorrogação pelo menos até outubro (leia mais abaixo). Ainda assim, com o mote da suspensão do desconto, a indústria nacional já vendeu 2,7% mais carros do que julho e 22,5% além do que o mesmo período de agosto de 2011.

Em Bauru, a realidade não é diferente e as concessionárias já comemoram vendas acima da média. “Esperamos vendas recordes ao menos em relação aos últimos cinco anos. Por conta disso, veículos de alguns modelos e cores já têm faltado. Embora a gente ainda tenha muitas unidades para pronta-entrega, as encomendas têm demorado de 20 a 30 dias para chegar por conta do excesso de demanda”, pontua Jorge Simão Neto, diretor de uma concessionária Ford.

De acordo com ele, os veículos populares continuam sendo os mais procurados e o modelo mais em conta, o Ford Ka, está sendo comercializado a partir de R$ 21,2 mil, cerca de R$ 2 mil a menos que o valor de antes do período de redução do IPI. “Os compactos ainda são os mais vendidos, mas vem crescendo bastante a demanda por motores acima de 1.0 e itens agregados, como ar e direção hidráulica”, frisa.

Na concessionária Volkswagen, o carro mais vendido continua sendo o Gol, que lançou sua geração 6 há cerca de um mês, pelo custo inicial de R$ 27,9 mil. “Até maio, o Gol era vendido a R$ 31 mil. É um desconto realmente bom”, considera o gerente de vendas André Arruda.

Outra opção bastante requisitada é o Fox 1.0, que sai, com todos os itens de série, por R$ 35 mil. A compra pode ser parcelada em até 48 vezes, com entrada de 20% do valor e juros mensais de 1,5%. “E o consumidor que já tem carro pode trazer seu seminovo para a negociação”, completa ele, que entregaria, ontem, 35 veículos já comercializados.

Bom negócio

Um deles era o Polo do professor Rivaldo Paccola, 59 anos, que levou para casa um modelo sedan completo, ano 2013 e motor 1.6. De um total de R$ 50 mil, R$ 25 mil foram abatidos pelo veículo que ele já tinha: o mesmo Polo, mas ano 2008.

“Há algum tempo, já vinha pensando em trocar por um zero quilômetro e resolvi aproveitar este momento de baixa de preços. Paguei a diferença à vista e acho que fiz um bom negócio”, pondera.

Na concessionária GM, a maioria dos carros já estão sendo vendidos sob encomenda, já que sobraram poucas unidades para pronta-entrega devido à grande procura nos últimos três meses, que aumentou cerca de 35%. “Só não teremos o melhor mês de todos os tempos se faltar carro, porque a demanda existe. Estamos em um momento econômico bastante favorável na cidade e a redução do IPI gera um efeito imediato nas vendas”, considera o diretor comercial Renato Amantini, que torce para que o governo prorrogue o benefício por, pelo menos, mais dois meses.

Enquanto a decisão federal não é tomada, ele recomenda que os consumidores se antecipem nas compras, principalmente se forem comprar sob encomenda. “Se ele fizer a compra em agosto, mas a fábrica só faturar em setembro, pode acabar perdendo o direito à redução”, alerta.

Seminovos

Devido à baixa de preços dos veículos zero quilômetro, o mercado de carros seminovos se viu forçado a reduzir preços e todos os modelos estão sendo comercializados com desconto médio de 10%, conforme revela o gerente comercial de um grande empreendimento em Bauru, Jorge Luiz Miranda. “A queda é maior para modelos de 2009 a 2012. Para os modelos mais antigos, a redução não é tão significativa.”

E são justamente os modelos populares com poucos anos de fabricação os mais procurados pelos consumidores. Em média, estão sendo comercializados entre R$ 16 mil a R$ 20 mil, à vista. “Nos nossos feirões oferecemos várias condições de pagamento, como taxa de juros zero para parcelamento em até 12 vezes e 60% de entrada.”

Prorrogação do IPI reduzido

Governo federal e empresas não comentam a possibilidade de manter a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para não prejudicar o esforço de venda nos últimos dias do benefício. Mas a pressão do setor privado por uma nova rodada de medidas de estímulo ao consumo, para dar fôlego ao crescimento da economia no fim do ano, voltou com força total ao Ministério da Fazenda.

Com a retomada ainda discreta do crescimento econômico neste segundo semestre e o risco concreto de o Produto Interno Bruto (PIB) fechar o ano abaixo de 2%, consolida-se no governo a avaliação de que será preciso manter os estímulos de curto prazo por período maior para dar impulso à indústria, que reage em ritmo lento.  O ministro da Fazenda, Guido Mantega, convocou para a próxima semana várias reuniões em Brasília com representantes dos setores que estão com o benefício para terminar - praxe que ele já adotou no anúncio das últimas renovações de incentivo tributário. O agendamento animou os empresários.

Demanda generalizada

Segundo as concessionárias consultadas pela reportagem, todos os tipos de veículos tiveram impulso nas vendas por conta da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). “A procura aumentou para modelos na faixa de R$ 25 mil até acima dos R$ 100 mil. Todas as classes sociais estão comprando mais”, sentencia o gerente de vendas André Arruda. Na concessionária Hyundai, o gerente de vendas Evandro Silveira também espera registrar recorde de vendas. Segundo ele, o modelo mais procurado é o i30, por R$ 56 mil. “É um carro completo, na versão automática. Também tem bastante procura para Santa Fé e o Tucson”, frisa.


Expectativa recorde

Impulsionado pelos incentivos do governo federal, a indústria automobilística espera comercializar, no mês de agosto, 400 mil veículos em todo o país. O recorde do setor foi registrado em dezembro de 2010, quando foram vendidos 381,5 mil veículos. Até a última terça-feira, as vendas totais somavam 251 mil unidades, 2,7% a mais que em julho e volume 22,5% superior ao resultado do mesmo período de agosto de 2011.

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