Regional

Cachaça mais gostosa é escolhida em concurso

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Anualmente, a Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp /Araraquara promove um concurso de cachaça de alambique para escolher a mais gostosa “pinguinha”. O evento que este ano chega em sua 9ª edição contou com a inscrição de 80 produtores na edição anterior.


O organizador do evento, professor titular do Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp/Araraquara João Bosco Faria, explica que a intenção do concurso é apontar a cachaça mais gostosa.


“O concurso é inovador. Diferente, porque ele é baseado na análise sensorial. A cachaça mais gostosa é que ganha. Usamos as técnicas de análises sensoriais. São os consumidores que escolhem. É um trabalho que envolve um mês e meio. Todas as amostras são avaliadas por um número mínimo de vezes dependendo do número de amostras inscritas.”


No ano passado 80 produtores de cachaças se inscreveram no concurso. “Cada um deles colocou cerca de duas amostras para serem avaliadas. Chegamos a mais de 100 amostras. Tudo é estatisticamente controlado de forma que a média que a gente tira das cachaças são realmente representativa da maioria dos consumidores.”


Quem avalia, segundo o professor são pessoas que gostam de “aguardente”. Para ser um avaliador, a pessoa responde a um questionário. Para nós, não interessa quem não bebe e nem aquele que bebe todas. A pessoa tem que gostar, se não dá nota baixa. Tem gente que é contra a bebida. Esse não pode ser avaliador. O consumidor que nos interessa é aquele que bebe cachaça pelo menos uma vez ao mês. Buscamos essa pessoa na cidade, nas feiras do segmento, nas universidades.”


Cada pessoa escolhida recebe as amostras a serem avaliadas. “Encaminhamos as amostras que estão previamente escolhidas e numeradas de maneira que a pessoa não saiba que amostra é. Vai num frasco totalmente diferente, numa ordem aleatória. Cada um prova quatro amostras.”



No dia da premiação, os participantes têm que passar pelo encontro da cadeia produtiva da cachaça. “Todos os inscritos têm que participar, caso contrário, não ficam se quer sabendo a sua classificação. O encontro dura o dia todo.”


O encontro contempla vários assuntos voltados á cachaça. “Nesse evento tem palestras. Procuramos destacar os pontos mais importantes do controle de qualidade, dos problemas que a cachaça tem. No fim do dia, a gente anuncia os vencedores. São escolhidos três na categoria sem envelhecimento e três na envelhecida. Na divulgação vão os dez mais votados.”


O professor ensina que o tamanho do tonel escolhido para envelhecer a cachaça influencia no produto final. “O segredo é colocar a cachaça para envelhecer em tonel de tamanho adequado. A nossa legislação estipula de 200 a 700 litros. Não pode ser menor e nem maior que isso. O menor vai ter uma extração desigual, as reações que ocorrem ao longo do tempo são atropeladas e não fica legal.”


Os tonéis de 200 litros têm o volume ideal de cachaça. “Sabemos que a área exposta no tonel é capaz de extrair o que vai fazer a cachaça se tornar envelhecida. O ar que entra pelas paredes de madeira são as necessárias para estimular reações de oxidação, fundamentais para que num período de mais ou menos dois anos obtenha-se um produto diferenciado. Com isso é possível melhorar a aguardente. Se ela já é boa, vai ficar melhor ainda.”

 

Comentários

Comentários