Tribuna do Leitor

Protetores ou acumuladores de animais?


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A propósito da matéria publicada pelo JC em 20/08/12, intitulada "Rivalidades dividem causa animal", é preciso analisar a questão tanto pelo viés da saúde pública e do direito quanto dos hábitos de consumo contemporâneos, lembrando que todos os animais são protegidos por leis, tendo seus direitos reconhecidos e tutelados. Um cidadão responsável deveria se preocupar com o bem-estar de todas as criaturas vivas, divulgando, implementando e fiscalizando a observância de tais leis.

O que acontece, infelizmente, é que equívocos de toda sorte ocorrem nesse percurso. Como agravante, adquirir um "animal de raça", hoje em dia, é questão de status, cuja decisão não carrega qualquer reflexão sobre a realidade cruel dos criatórios de onde esses animaizinhos são provenientes e, geralmente, o consumidor não consegue enxergar que, para cada animalzinho "de raça" adquirido, um animal sem raça definida ficará nas ruas sem assistência veterinária, sem vacinas, sem abrigo e exposto a toda sorte de maus tratos.

Em Bauru, campanhas educativas sobre posse responsável são inexistentes. O poder público não oferece nenhum serviço ininterrupto de assistência veterinária, nem programas de castração constantes, nem de emergência aos animais acidentados ou vítimas de maus tratos. Essa lacuna, então, possibilita que oportunistas passem a atuar em nome da causa. Sem instalações adequadas, sem conhecimentos veterinários e de manejo, sem veterinários ou técnicos responsáveis, passam a acumular animais sem critério algum: grandes e pequenos convivem juntos, favorecendo as brigas decorrentes da competição por território e alimento.

Como consequência direta desse quadro, muitos acabam morrendo. Sem a triagem adequada, sem o histórico de cada animal, sem avaliação clínica e acompanhamento, sem vacinas para o controle das zoonoses, os abrigos amadores não conseguem, efetivamente, promover nenhum bem-estar para os animais, constituindo-se em mais um gravíssimo problema de saúde pública. Enxuga-se gelo, já que, em caso de maus tratos, mesmo as autoridades competentes acabam por recorrer a esses abrigos, quando não sabem o que fazer com um animal espancado, desnutrido ou acidentado: se eram mal tratados no local onde viviam, agora passarão pelas agruras da vida no abrigo. Além da precariedade desses abrigos amadores, que prestam um desserviço à causa animal, a população ainda passa a ser vítima da extorsão afetiva dos indivíduos que estão à frente dessas iniciativas equivocadas. Espalhando apelos pelas redes sociais e meios de comunicação, fazem uso de sentimentalismo barato para arrecadar recursos, sem que nenhum serviço de qualidade retorne aos animais e à comunidade.

Como se todos esses problemas não bastassem para deflagrar uma profunda reflexão nos rumos da defesa da causa animal em Bauru, vemos agora as investidas de um grupo de pseudoprotetores descredibilizando o trabalho realizado pela Bem-Estar Animal e União Internacional de Proteção Animal, a Uipa Montarat de Bauru, representada pela sras. Maria Dolores Barboza Gomes (Lola), que há 28 anos se dedica à causa, e por Damair Almeida, com 16 anos de trabalhos voluntários prestados à Uipa ? Bem-Estar Animal. Em parceria com a iniciativa privada, a entidade realiza campanhas de castração gratuita de animais, única maneira de minimizarmos os casos de abandono e maus tratos decorrentes da superpopulação de animais domésticos.

Lola, Damair e as veterinária que prestam serviços para a Uipa vêm sendo sistematicamente ofendidas e caluniadas por indivíduos que se utilizam das redes sociais para esse fim. Esses agressores, que agora se travestem de protetores, já foram comerciantes de animais. Temos em mãos um dossiê de mais de cem páginas que comprovam essas ofensas e o disponibilizaremos para todo e qualquer interessado, para que a transparência e a verdade prevaleçam e norteiem nossas ações. A causa da defesa animal é complexa e delicada. Cuidar dela com zelo e profissionalismo é prerrogativa que não permite espaço para disputas de tão baixo nível como as que ora se apresentam. Os animais merecem mais respeito. Os seres humanos, idem.

Marta Caputo - coordenadora do Fórum Empresarial de Responsabilidade Social e Sustentabilidade de Bauru)

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