Um salmo de David, o de n.º 148, nos chama a atenção, pois diz que além do ser humano que se acha o único ser inteligente do universo, devem louvar a Deus os seres marinhos, montanhas e outeiros, frutos das árvores e seus troncos, animais selvagens e pássaros e até os rios. Mas, esperem! Como pode esses seres compararem-se a nós, que acreditamos sermos os únicos seres com ideia de religiosidade e a quem Deus submeteu toda a natureza? Essas árvores cortadas impiedosamente depois queimadas e os animais selvagens que perdem seu habitat e são mortos pelo fogo para cederem lugar ao "progresso", a "loteamentos" muitas vezes clandestinos, podem louvar a Deus? Esse salmo coloca o meio ambiente, ou, no dizer de Leonardo Boff, "ambiente inteiro" junto com "reis e todos os governantes, príncipes e todos os juízes" - verso 11, como uma unicidade criados por Deus. Uma interdependência! Essa era a visão do grande rei David e também de Francisco de Assis.
Então esses seres são criação de Deus? Tem vida, sentimento e reagem? O mar, os rios, as matas possuem uma energia que podem nos ajudar? Então, conforme o Salmo 19, a natureza é a voz silenciosa de Deus que muitos não entendem e querem calá-la. O Salmo 19 para os judeus é considerado como um dos Salmos da prosperidade. Ah, então desenvolvimento sustentável traz prosperidade? Sim, a natureza dá lucro, o ICMS Ecológico que o diga, já temos uma compensação, mas há outras. A natureza é criação divina e os que querem destruí-la procurando riquezas materiais que são evidente só para si não são realmente ricos e a própria natureza reagirá.
Amilton Marques Sobreira - Presidente da ONG SOS Cerrado