Política

Família reage a "uso político" do caso Drielly

Vinicius Lousada com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Familiares de Drielly Carla Alves de Brito, morta há cerca de um mês no Pronto-Socorro Central (PSC), estão indignados com o que chamam de ‘exploração eleitoral’ da tragédia envolvendo a estudante universitária. Tia da jovem, Elisângela Carla de Brito Fernandes ameaça, inclusive, processar os candidatos Chiara Ranieri (DEM) e Rodrigo Agostinho (PMDB) se o caso continuar a ser abordados nos programas de televisão das campanhas.

Na última sexta-feira, a demista deu destaque à tragédia e disse que Drielly morreu por negligência do atendimento municipal, o que motivou o pedido de direito de resposta de Rodrigo junto à Justiça Eleitoral. (Leia mais na matéria abaixo).

“Atualmente não estou em Bauru, mas acompanhei essa notícia pela internet. Eu quero deixar muito claro que se ficarem usando essa história para se atacarem politicamente, nós é que vamos processar os dois. Essa é uma forma baixa e desumana de fazer política. Eles não têm o direito porque não sabem da nossa dor”, desabafou a tia, que mora em Itaporanga.

Segundo Elisângela, nenhum dos dois nunca procurou a família para saber como as pessoas próximas de Drielly estavam lidando com a situação e, agora, querem se promover através da tragédia. “Isso é politicagem. O fim da picada!”.

A tia da estudante relatou ao Jornal da Cidade o quão difícil ficaram as coisas depois da morte de Drielly. Como tem alguns contatos, ela conta que conseguiu garantir atendimento psiquiátrico à mãe da jovem, que sofre de depressão pós-traumática.

A vó materna da vítima, Sonia Aparecida Pinho Fragoso também lamentou o que chamou de ‘destruição’ da família. “Está todo mundo desesperado. Sempre que posso, vou ao cemitério. É de chorar. O irmão dela, que ia à faculdade junto com a Drielly, sempre se perguntava como vai ser agora sem a companheira dele”, conta.

Ambas relatam que, em nenhum momento, a família teve a dimensão da gravidade do caso da jovem. Segundo a tia, alguma forma seria encontrada para que a sobrinha fizesse a cirurgia na rede privada. “Nem que eu vendesse a minha casa”, completou a avó, repetindo a frase já dita pelo pai da vítima, dias após o ocorrido, em passagem pela Câmara Municipal.

A avó da menina, no entanto, fez questão de dirigir críticas a Rodrigo Agostinho, por tentar não se responsabilizar sobre o caso.

 

Processo

Elisângela Carla de Brito Fernandes confirmou que a família vai procurar a Defensoria Pública para processar o município e o Estado, com pedido de indenização. “Não vai trazer a Drielly de volta, mas é uma forma de Justiça”, afirmou a tia.

O momento em que a ação será protocolizada, porém, vai depender do andamento do inquérito instaurado para investigar a morte de Drielly. O delegado Fábio Mariotto está à frente do caso, no 3º. DP da Polícia Civil. A reportagem, porém, não obteve informações a respeito, pois ele está em licença e volta na semana que vem.

A tia da estudante universitária diz ainda que tem laudos de um ano atrás, feitos em razão de uma lipoescultura à qual Drielly foi submetida, que atestavam suas boas condições de saúde.

 

Chiara responde

A assessoria de imprensa da coligação ‘Bauru merece muito mais’, encabeçada por Chiara, enviou nota alegando que todos os seus programas no horário eleitoral têm como objetivo apontar problemas vividos pelos bauruenses e propor soluções objetivos. O texto diz a citação da morte e a exibição de manifestações em pedido de Justiça foram colocados no ar como um sinal de alerta para que providências sejam tomadas com urgência e mais famílias não sofram com perdas semelhantes.

A equipe da candidata ressalta que, como os órgãos de imprensa, fez a cobertura do protesto como um ato público e local público, destacando que os depoimentos veiculados no programa tem documentada a devida autorização do depoente.

A coligação encerra a nota se solidarizando com a família da estudante de das outras vítimas do que chama de precário sistema municipal de Saúde.

Rodrigo nega exploração

Procurado pela reportagem, o candidato à reeleição, Rodrigo Agostinho, negou a exploração do caso Drielly em sua campanha. “Ela não foi a única a morrer no Pronto-Socorro. Nunca citamos o nome dela e não vamos fazer isso”, alegou.

Segundo o prefeito, a exploração do caso foi uma estratégia adotada exclusivamente por Chiara. “Ela fala do PSC, mas não conta dos problemas do Hospital de Base. Eu lamento muito pelo que está passando a família”.

 

Relembre o caso

Drielly de Brito começou a sentir dores abdominais no dia 19 e procurou o Pronto-Socorro Central (PSC), onde recebeu medicação e foi liberada. Dois dias depois, realizou exames na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Mary Dota e, com necessidade de internação, voltou ao PSC para aguardar vaga no Hospital Estadual (HE).

A solicitação para internação clínica cirúrgica teria sido feita pelo PSC na madrugada do dia 25, depois de a equipe médica receber os resultados dos exames de ultrassonografia, realizados pelo próprio HE, que detectaram um quadro de colecistite aguda calculosa (pedra na vesícula). Na madrugada do dia 26, o estado da paciente agravou-se e ela precisou ser entubada. Nova vaga foi solicitada ao Estado, desta vez para internação em UTI. O leito foi liberado duas horas depois em Promissão, a 122 quilômetros de Bauru.

A Secretaria de Saúde informou, entretanto, que o estado da paciente era bastante grave e ela não tinha condições para ser transportada. Às 6h do mesmo dia, o PSC voltou a fazer o pedido para internação no HE, que foi atendido pelo Estado às 7h, quando Drielly sucumbiu a uma pancreatite necro-hemorrágica.

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