Nacional

Banco Central corta Selic e juro real vai a 1,98% ao ano

Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

Brasília - Com a nona queda consecutiva dos juros do Banco Central, completou um ano o mais agressivo e controverso ciclo de cortes promovido desde o Plano Real (veja quadro).

Hoje, a Selic, que serve de base para o rendimento das aplicações financeiras e o custo dos empréstimos bancários, foi reduzida de 8% para 7,5% ao ano, novo menor patamar da história da taxa.

Há 12 meses, o BC atordoava investidores e analistas ao interromper uma trajetória de alta e derrubar o juro de 12,5% para 12% anuais, mesmo com a inflação acima da meta oficial.

O comunicado do Comitê de Política Monetária indicou que, se não acabou, a trajetória de queda está perto do fim: “Se o cenário prospectivo vier a comportar um ajuste adicional nas condições monetárias, esse movimento deverá ser conduzido com máxima parcimônia”. Antes da decisão, analistas de mercado apostavam em uma última redução da Selic, para 7,25%.

Independentemente de sua continuidade, a estratégia de estímulo monetário já rendeu trunfos para a equipe econômica da presidente Dilma Rousseff.

O governo pode apresentar como obra sua os juros reais - descontada a inflação esperada - de 1,98% ao ano, que, embora ainda altos para os padrões internacionais, são de longe os menores do país em três décadas.

E o BC, cuja autonomia passou a inspirar desconfiança a partir do ano passado, pode afirmar que acertou ao prever uma forte freada da economia associada ao agravamento da crise externa. Já os resultados concretos de tais feitos e acertos, são, até este momento, bem menos animadores.

A reação do consumo e dos investimentos tem sido mais lenta e mais modesta que o projetado. A aposta central do mercado hoje é de um crescimento econômico de apenas 1,73% neste ano, pouco menos da metade dos 3,5% esperados pelo BC em março.

Entre os quatro principais ciclos de queda de juros desde a adoção do regime de metas de inflação, em 1999, nenhum demorou tanto a produzir aceleração da atividade econômica. Na crise de 2009, foram seis meses de queda consecutiva - e sinais de retomada surgiram no segundo semestre.

Este é também o primeiro ciclo de afrouxamento monetário feito enquanto a inflação projetada se mantém acima da meta de 4,5%, sem tendência clara de baixa.

 

Brasil é 5º com maior taxa real no mundo

Brasília - Com a redução de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, o Brasil ocupa a quinta posição entre os países com os maiores juros reais (taxa que desconta a inflação) do mundo.

De janeiro de 2010 até março deste ano, o país se manteve no topo desta lista. Agora, a China encabeça o ranking com juros reais de 4,1%, enquanto a taxa no Brasil baixou para os atuais 1,8%. O segundo colocado é o Chile (2,4%), seguido por Austrália e Rússia (ambas com 2,3%).

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) anunciou hoje a redução da Selic. Com a decisão, a taxa caiu para 7,5% ao ano, o menor patamar da série histórica iniciada em 1986.

O ranking dos juros reais é elaborado pela corretora Cruzeiro do Sul/Apregoa, com 40 das maiores economias do planeta. Da taxa básica, foi descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses.

Segundo Jason Vieira, analista internacional da Cruzeiro do Sul Corretora, a redução paulatina de juros no Brasil, aliada à elevação das medidas locais de inflação e a menor medida inflacionária em diversos países do mundo, possibilitaram que essa movimentação no ranking.

No Brasil o índice de preços ao consumidor vem desacelerando, mas pode voltar a subir pressionado pelo aumento da demanda estimulado pelas medidas tomadas pelo governo, como redução de IPI para os carros, entre outras. Outro fator que deve elevar a inflação é a alta nos preços dos alimentos, influenciado por fatores climáticos no Brasil e nos Estados Unidos.

Segundo levantamento da corretora Cruzeiro do Sul, feito em colaboração com o analista de mercado da Weisul Agrícola, Thiago Davino, para que o Brasil deixasse hoje a quinta colocação no ranking atual, teria de ter tido um corte de 0,75 ponto percentual. Assim, o país chegaria a uma taxa real de 1,5%, dividindo o sétimo lugar com a Coreia do Sul. Não seria possível assumir a sexta posição porque os cortes da autoridade monetária são baseados em múltiplos de 0,25 p.p..

Na lista dos países avaliados, mais da metade dos países citados, 21 no total, registram juro real negativo. Tanto que a taxa média geral dos 40 países analisados ficou em -0,3%. Os últimos lugares do ranking são ocupados por Cingapura (-3,8%), Venezuela (-3,5%) e Turquia (-3%).


Queda da Selic reduz novamente a remuneração da poupança

São Paulo - Com a redução da taxa básica de juros, a Selic, para 7,5%, o rendimento da poupança volta a cair a partir de hoje devido a nova regra para o investimento, anunciada no dia 4 de maio. A medida determina que com a taxa básica de juros abaixo de 8,5%, um gatilho será acionado e as novas cadernetas de poupança e novos depósitos terão seus rendimentos calculados com base em 70% da Selic, acrescidos da Taxa Referencial, que não muda (TR).

Com a Selic a 7,5%, a poupança terá rendimento de 5,25% ao ano mais a TR. Ou seja, uma poupança de R$ 10 mil renderia, pelo menos, R$ 525 após 12 meses.

Para depósitos antigos (feitos até dia 3 de maio) nada muda, ou seja, o rendimento continua sendo de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais a TR. O mesmo ocorre para novos depósitos quando a Selic for superior a 8,5%.

Para que os poupadores saibam quanto vão ganhar na caderneta quando as novas regras forem usadas, o governo definiu que o cliente será informado, na data do depósito, de qual será o rendimento creditado 30 dias depois. 

Comentários

Comentários