Depois de um conturbado processo de votação para a eleição da diretoria do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), realizado nos dias 16 e 17 de agosto, a comissão eleitoral declarou vitória da Chapa 1, grupo que comanda a entidade atualmente, ligado à Conlutas; e impugnou a Chapa 2, alinhada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), que promete levar o caso à Justiça.
Acontece que os votos sequer foram contados, pois, segundo representantes da chapa de oposição, o quórum mínimo de 50% +1 entre os 2.086 que teriam direito a voto não foi atingido. No segundo dia de votação, a própria assessoria de imprensa havia confirmado essa informação.
No entanto, a diretora do sindicato Idelma Corral afirmou ontem que, em razão das possíveis intervenções da CUT para atrapalhar o processo eleitoral, a Mesa Apurador sequer fora instituída. Portanto, segundo ela, não seria possível constatar o fracasso do pleito, até porque os votos teriam sido queimados por representantes da Chapa 2.
O Sinserm acusa os cutistas de terem invadido a sede do Sindicato, sob ameaças à atual diretoria, além de terem impedido funcionários de votarem e tentarem tumultuar o processo eleitoral. De acordo com Idelma, a decisão de impugnar a Chapa 2 foi motivada pelos danos causados no prédio do sindicato. “Fizemos a ata após a restauração da ordem e fundamentados no que prevê o nosso estatuto”, argumenta.
Um vídeo registrado por câmeras de segurança foi divulgado ontem pelo Sinserm, onde são exibidas cenas da suposta invasão, a presença da Polícia Militar e os votos sendo queimados. “Quebraram o portão eletrônico. Nós chamamos a polícia”, conta Corral.
A dirigente diz ainda que vai processar os membros da Chapa 2 e a CUT por conta da ocorrência.
CUT chama ato de golpe
Por sua vez, a Chapa 2 enviou nota na qual chama de golpe a declaração de vitória da Chapa 1. A acusação é de que Idelma Corral e Sônia Carvalho, membros da atual diretoria, manipularam a Comissão Eleitoral para validar o processo de forma “ilegal e criminosa”.
Segundo Maria Ester dos Santos, representante da Chapa 2, os votos foram incinerados após acordo junto à Comissão Eleitoral e uma ata que previa a convocação de novas eleições em um prazo de 15 dias fora assinada, inclusive pelos advogados do Sinserm, que foram demitidos pela atual diretoria.
Questionada sobre o assunto, Idelma disse que essa ata nunca existiu nem teve validade, mas se negou a explicar a demissão dos advogados, alegando que este assunto é uma questão interna do sindicato.
A Chapa 2, que deve protocolizar ação contra a diretoria do Sinserm ainda hoje, acusa a diretoria também de formar a Comissão Eleitoral, composta por quatro servidores eleitos, na surdina. Idelma, porém, rebate a informação e diz que todos os editais foram publicados em veículos de imprensa.
Os membros da chapa de oposição dizem ainda que não houve invasão à sede do Sinserm, pois o estatuto garante que a apuração seja público. “Não houve invasão, mas sim, a preservação de direitos”, diz a nota.
Terceira chapa
Antes da primeira tentativa de eleição, uma terceira chapa se inscreveu para participar da eleição para a diretoria do sindicato, mas foi impugnada por não completar o número mínimo de membros, já que, segundo Idelma Corral, alguns sequer eram sindicalizados.
O Jornal da Cidade apurou que a terceira chapa era formada por pessoas ligadas à Conlutas e ao PSTU, que romperam com a direção atual do Sinserm.
O mandato da diretoria do sindicato tem duração de quatro anos. Segundo a Chapa 2, o grupo que tentava a reeleição e foi designado vencedor do processo eleitoral já está há 16 anos a frente da entidade.