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Coleta seletiva vai para a Emdurb

Vitor Oshiro com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

A política dos três R’s em relação ao lixo vive uma dificuldade em Bauru. O famoso reduzir, reutilizar e reciclar está bastante deficitário nesta última etapa. Com caminhões quebrados e sem mão de obra suficiente, a coleta seletiva virou alvo de reclamações. Sem estrutura para continuar com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), o serviço irá passar, ainda em 2012, para a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural e Bauru (Emdurb).

A informação foi revelada pelo titular da Semma, Valcirlei Gonçalves da Silva, e confirmada pelo prefeito Rodrigo Agostinho. A Emdurb, porém, por meio de sua assessoria de comunicação, diz que ainda não há nada concreto e que não irá se manifestar.

O motivo da mudança é que, nas mãos do município, o serviço está fadado à extinção e já começa a dar sinais de que esse futuro está próximo. Na teoria, a coleta seletiva cobriria 86% de Bauru, porém, na prática, não é o que vem ocorrendo.

O problema mais recente foi motivado, conforme o JC divulgou nesta semana, pela precariedade e insuficiência na frota de caminhões. Dos quatro veículos que fazem a coleta, dois estão quebrados e, de acordo com Valcirlei Silva, não há previsão para voltarem a funcionar.

“Esses quatro caminhões trabalham todos os dias e, conforme vão surgindo os defeitos, não há outros reservas para colocar no lugar. Então, eles ficam parados para a manutenção”, explica o titular da Semma.

Somado a esse grande problema estrutural está a mão de obra insuficiente. Os responsáveis pela coleta seletiva são contratados do município como coletores. Quando a coleta de lixo normal foi terceirizada para a Emdurb, a prefeitura foi impedida de contratar qualquer coletor. Assim, a mão de obra diminui a cada dia e não pode ser reposta.

“Hoje, são 16 funcionários responsáveis pela coleta seletiva. Já foi um número maior, mas alguns vão se retirando e se aposentando. Como não podemos repor, já não temos mais condições de fazer o serviço”, complementa Valcirlei Silva.

Ele confirma que, hoje, não é mais possível cobrir os 86% da cidade que estavam previstos inicialmente. “Pegamos nos pontos em que sabemos que há mais material. Torcemos para que essa transferência para a Emdurb ocorra logo”, destaca o secretário, evidenciando que o serviço chegou a sua saturação.

 

Frota de caminhões

Por conta dessa realidade, o prefeito Rodrigo Agostinho afirma que a coleta seletiva vai realmente ficar sob responsabilidade da Emdurb, uma vez que o órgão já faz a coleta do lixo comum de Bauru. De acordo com o chefe do Executivo, faltam apenas alguns detalhes para que isso ocorra (leia mais abaixo).

Segundo ele, quando a transferência do serviço ocorrer, a prefeitura irá repassar a frota de caminhões para a Emdurb, além de comprar novos veículos para a realização do serviço.

“Desses quatro caminhões que fazem o serviço para a Semma, dois são novos. Eles serão cedidos para a Emdurb. Em relação aos coletores, eles poderão contratar mais profissionais para melhorar o serviço”, finaliza o prefeito.  



‘Jogo de empurra’

Apesar da promessa de que o repasse da coleta seletiva da Semma para a Emdurb ocorrerá ainda este ano, não há ainda um consenso sobre o que realmente falta para isso se concretizar. O prefeito Rodrigo Agostinho afirma que só faltam alguns detalhes contratuais, porém, não parece ser a visão da Emdurb.

A impressão que se tem é de que existe um “jogo de empurra” na questão. Por meio de sua assessoria de comunicação, a empresa municipal afirma que não irá se pronunciar sobre o assunto, limitando-se a dizer que “não existe nada certo”.

Já Valcirlei Gonçalves da Silva, titular da Semma, demonstra que sua pasta não tem mais condições de fazer o serviço. Segundo ele, a Emdurb estaria fazendo estudos sobre o caso e a transferência da coleta seletiva para a empresa municipal deveria ter ocorrido no meio deste ano.

 

População sofre prejuízos com serviço de recolha precário

Enquanto a coleta seletiva não é transferida para a Emdurb e a Semma faz o serviço com estrutura abaixo do ideal, quem sofre é a população. E, consequentemente, o meio ambiente. Nesta semana, o JC recebeu reclamação de moradores do Jardim Europa, que estão com suas lixeiras lotadas.

De acordo com a população do bairro, a coleta seletiva não passa pelo local há três semanas. O titular da Semma, Valcirlei Silva, confirmou que a quebra já citada de dois caminhões vem provocando tal atraso.

Enquanto o serviço não melhora, a população é que vai ter que se esforçar para ser exercer seu papel consciente. A saída apontada pelo secretário é levar o material reciclado nos Ecopontos, espalhados por cinco partes da cidade.

Esses locais foram feitos para recolher pequenas quantidades de entulho, porém, segundo Valcirlei Silva, os funcionários estão orientados a coletar os materiais recicláveis. Os ecopontos estão localizados na quadra 2 da rua Sorocaba, no Antônio Eufrásio de Toledo; quadra 4 da rua Américo Finazzi, no Mary Dota; quadra 4 da rua Noé Onofre Teixeira, no Redentor/Geisel; quadra 1 da rua 41, na Pousada 1; e quadra 4 da rua Dulce Duarte Carrijo, no Edson Francisco da Silva. 

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