Douglas Reis |
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O vigilante Sérgio Vieira Costa entrou em agência da Previdência com bombas caseiras |
A agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Bauru afirmou que não houve erro na avaliação médica que negou a renovação do auxílio-doença ao vigilante Sérgio Vieira Costa, 39 anos. Na manhã de ontem, ele lançou dois artefatos semelhantes a coquetéis molotov dentro do prédio da unidade, provocando pânico no local. A suspeita é de que a ação tenha sido uma retaliação pelo fato do instituto ter indeferido a renovação do benefício, que ele deixou de receber em abril deste ano.
Por cautela, o INSS preferiu manifestar-se através de sua assessoria de imprensa, que respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem por meio de nota. Segundo o órgão, “no momento do exame médico-pericial, o perito avaliou que a doença apresentada pelo segurado não o incapacitava para o trabalho”. Diz ainda que “o segurado se valeu de todas as instâncias administrativas para contestar o indeferimento do benefício, e todas mantiveram o parecer inicial”. Por este motivo, o pedido não será revisto.
Ainda de acordo com o instituto, a agência de Bauru conta com dez médicos que realizam, em média, um total de 150 perícias por dia. A avaliação, conforme revela o INSS, independe da especialidade clínica do profissional. Desta forma, mesmo não sendo psiquiatras, seriam capazes de detectar ou descartar eventuais enfermidades mentais.
Em matéria publicada recentemente pelo JC, o médico do trabalho Fábio Pinto Nogueira apontava para o agravamento da saúde mental dos trabalhadores nos últimos anos. “A cobrança por resultados no trabalho em uma sociedade extremamente competitiva contribui para este quadro. As causas ortopédicas, por exemplo, têm diminuído, enquanto aumentam os fatores psiquiátricos. Mas é claro que, para conceder aposentadoria ou afastamento, todo um contexto precisa ser analisado”, disse.
Queixa comum
Nogueira também comentou que, até por conta deste fenômeno crescente, têm sido comuns os casos em que há conflito de diagnósticos - um dado pelo médico particular do paciente e outro pelo perito do instituto. “No consultório, o médico estabelece uma relação de confiança com o paciente. Já com o perito, a relação é de desconfiança. Ele precisa ser bastante objetivo para dimensionar a capacidade ou incapacidade de trabalho daquela pessoa”, observa.
Na mesma reportagem, a coordenadora da Comissão de Assuntos Previdenciários da subsede Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ana Paula Radighieri Moretti, reforçou que a principal reclamação dos segurados que dizem estar doentes é a interpretação discordante do perito do INSS em relação à documentação assinada por outros médicos. “Geralmente, o documento do profissional de confiança do paciente acaba não tendo valor”, apontou.
Na ocasião, o gerente executivo do instituto em Bauru, Josué Lopes Moreira Filho, argumentou que, ao contrário do que reclamam os trabalhadores que recebem resposta negativa do INSS, os peritos possuem autonomia para conceder o benefício sempre que necessário. “Ele precisa se basear em informações concretas para tomar sua decisão: manter o auxílio-doença (reanalisados no prazo máximo de dois anos), conceder aposentadoria por invalidez ou encaminhar a pessoa à recolocação profissional”, pondera.
Homem segue internado
O vigilante Sérgio Vieira Costa, 39 anos, continua internado na Associação Hospitalar Thereza Perlatti, em Jaú. Conforme apurou o JC, na tarde de ontem ele recebeu visita de familiares, incluindo sua esposa, que mora com ele em Jacuba, bairro rural de Arealva. A reportagem tentou contatá-la, assim como seus filhos que vivem em Bauru, mas ninguém foi localizado.
