Política

DAE repara mesmo vazamento 3 vezes

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Mais um caso que coloca em xeque a qualidade dos serviços prestados pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) vem à tona. Na quadra 25 da rua Tamandaré, Vila Ipiranga, o mesmo vazamento precisou ser consertado por três vezes pela autarquia para acabar, pelo menos temporariamente, com o problema, que vinha tirando o sono dos moradores.

A situação ganhou publicidade a partir da carta publicada na Tribuna do Leitor da última terça-feira, na qual Luiz Américo Manaia relatou a “história do vazamento”.

A água começou a jorrar há cerca de dois meses e, após muita insistência dos moradores, o DAE foi até o local, mas abriu um buraco enorme, sobre o qual jogou terra, sem solucionar o problema.

“A coisa ficou pior porque, além da água, também descia toda terra que puseram em cima”, relatou o leitor do Jornal da Cidade.

Mais dez dias, os técnicos da autarquia voltaram ao local e, aparentemente, consertaram o vazamento. No entanto, a satisfação dos moradores durou pouco tempo, pois, cerca de um mês depois, a água voltar a vazar na rua Tamandaré.

“Acho que eles consertaram o cano com fita crepe ou durex, não é possível um serviço tão mal feito! Agora tudo outra vez, estou ligando no DAE e nada. Com essa seca é um pecado ver aquela água jorrando feito uma mina. E olha que nosso prefeito foi da ONG Vidágua e é ambientalista. Imagine se não fosse”, reclamou.

O vazamento nesta semana e, diferentemente das outras vezes, já cobriu o buraco com asfalto. No entanto, o problema é recorrente, segundo moradores do bairro.

A pensionista Odete H. Bijos Lima conta que este não é o primeiro nem o segundo caso em que, após visita do DAE, um vazamento volta a surgir no mesmo ponto. “Se não é no mesmo lugar, acontece a uns dois metros de distância. Fico indignada com isso. Por que não fazem o serviço direito?”, questiona.

Segundo ela, o bairro, que está na região com maior incidência de vazamentos, antes dos mutirões do DAE, já sofreu com falta de água.

 

DAE diz que vazamentos não são os mesmos

Diretor da Divisão Técnica da autarquia, Manuelino Câmara Filho afirma que, em casos como estes, os vazamentos não acontecem exatamente no mesmo ponto, como imagina e percebe a população. Segundo ele, por conta das intervenções para a execução dos consertos, trechos próximos ficam vulneráveis com o aterramento, ocasionando novos vazamentos. “Isso acontece, principalmente, nas redes de ferro. É incomum, mas, de vez em quando, acontece”.

Em relação à primeira visita do DAE, sobre a qual os moradores relatam que o vazamento foi aterrado antes de ser consertado, Manuelino garante que isso não acontece. “Se um servidor fizesse isso, seria severamente punido”, pontuou.

No entanto, o diretor não soube explicar porque os relatos dos moradores apontam que algo neste sentido, de fato, aconteceu. “Vou conversar com o encarregado e me informar melhor sobre o caso”, pontua.

De acordo com Câmara, o vazamento na Tatuapé foi consertado – pela terceira vez – no domingo, antes da publicação da carta no JC. “Quando mandei tomar providências, o problema já havia sido solucionado”, garante.

 

Mutirões deixam 205 vazamentos

Divulgados pelo DAE como a solução para que os vazamentos de água e esgoto em Bauru fossem zerados, os mutirões não alcançaram os resultados esperados. De acordo com a assessoria de imprensa da autarquia, em seis dias de operações em diferentes regiões do município, 393 serviços foram executados. No entanto, ainda restam 205 casos.

A região do que engloba bairros em torno do Tangarás e do Geisel é a nova ‘campeã’ em vazamentos, com 81 casos. Por conta disso, a autarquia vai concentrar sua ‘força-tarefa’ novamente nesses locais na próxima terça-feira.

A do Parque Vista Alegre e Mary Dota tem 45 registros. Os vazamentos são 32 na região do Jaraguá e Bela Vista. Centro e Altos da Cidade somam 26.

Já a região da Vila Falcão e Ouro Verde, que, antes dos mutirões, liderava os casos de vazamento, é a com menor incidência atualmente, com 21 casos.

 

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