Belo Horizonte - O senador Aécio Neves (PSDB) usou o julgamento do mensalão, em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), para rebater hoje aos ataques do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seus afilhados políticos em Minas Gerais.
Segundo Aécio, o PT “tem muita dificuldade de separar o que é público do que é privado” e “se apropria das empresas públicas”.
Como argumento, ele citou a decisão do STF em relação ao primeiro bloco do julgamento do mensalão, que entendeu que recursos do Banco do Brasil foram usados para abastecer o esquema de compra de apoio político no Congresso.
Aécio disse que estava “feliz” em ver que Lula, de quem se diz amigo, se recuperou do câncer na laringe. No entanto, disse que a ausência do ex-presidente por muito tempo o deixou “desinformado”.
O tucano deu entrevista durante caminhada em avenida de Belo Horizonte num evento de campanha do prefeito e candidato à reeleição Márcio Lacerda (PSB), de quem é o principal cabo eleitoral.
Na noite de ontem, durante comício do candidato do PT à Prefeitura de BH, Patrus Ananias, Lula havia afirmado que o governo mineiro - comandado por Antonio Anastasia do PSDB- não põe dinheiro na Prefeitura de Belo Horizonte porque está “quebrado, mas não diz”.
Segundo Lula, Lacerda, ex-aliado do PT, só consegue fazer as obras com recursos do governo federal. Disse ainda que Lacerda só é prefeito “por causa do PT”.
Sobre a aliança, Aécio disse que o PSDB se manteve ao lado de Lacerda e o PT é quem tem de explicar por que saiu da aliança.
Em relação à dependência financeira da União citada por Lula, o tucano disse que o PT se equivoca ao analisar investimentos: “O PT trata os recursos públicos como se fossem seus (...), são impostos que todos nós aqui pagamos”.
Segundo ele, é papel do governo federal fazer parcerias com o Estado.
“Mas o PT se apropria das empresas públicas, como fez em relação ao Banco do Brasil. Uma vergonha, uma instituição secular, símbolo do Brasil, utilizada de forma, como comprovado pelo STF, para atender interesses do partido”, disse. “Esse é um problema grave do PT, ele tem muita dificuldade de separar o que é público do que é privado”, acrescentou o senador.