João Rosan |
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Alameda Licurgo, no Santa Edwirges: à espera da obra |
O tema asfalto na campanha eleitoral está intimamente relacionado ao desenvolvimento de Bauru. No plano de governo dos candidatos a prefeito, há uma clara divergência sobre o número exato de quadras de terra em Bauru que, portanto, não possuem pavimentação asfáltica.
A publicação da segunda edição do caderno Agenda Bauru do JC no dia 26 de agosto acirrou ainda mais a discussão da falta de infraestrutura não somente pela quantidade de quadras pendentes para melhoria do asfalto, mas também pelo critério a se adotar para levar o benefício aos moradores.
O candidato Clodoaldo Gazzetta (PV) destacou ao JC, na última terça-feira, que se eleito, irá criar o Índice de Vulnerabilidade por Bairro (IVB) de Bauru para traçar políticas públicas, como a de infraestrutura. Gazzetta detalha que o IVB será composto pelo cruzamento de diversos dados sobre a cidade. Com esse indicador, o verde entende que a administração pública saberá quais bairros e ruas necessitam de maior atenção pelo critério de saúde, no transporte público e no histórico do bairro.
Segundo Gazzetta, o IVB indicará qual via receberá primeiro a pavimentação asfáltica, com o critério de que residam ali pessoas com problemas respiratórios, cardíacos, de locomoção, entre outras limitações.
Para o candidato do Partido Verde, aquele morador que ficar na fila pelo asfalto, saberá que quem recebeu primeiro era mais necessitado. “Hoje não tem critério nenhum. É na vontade do prefeito e dos vereadores que escolhem as ruas”, critica.
Gazzetta acrescenta que as quadras a serem asfaltadas não devem ser definidas por vereadores e nem mesmo por prefeito. “Apesar de que não dá para confiar nos dados da prefeitura. Esperamos que, em 2013, a gente possa ter dados mais precisos. Quando você burla o dado que a própria prefeitura tem e beneficia segmentos ‘A’ ou ‘B’, vira clientelismo”, alfineta o verde.
Presente de grego
O candidato verde desconfia dos dados que foram fornecidos ao JC para a elaboração do caderno Agenda Bauru sobre infraestrutura. “Infelizmente, os dados estão sendo mascarados para passar uma realidade que não é a que a gente vê na rua”, avalia Gazzetta.
Ele pretende disponibilizar para a Prefeitura de Bauru dados de geoprocessamento de 2004, 2008 e 2012 em que será possível comparar as ruas asfaltadas neste período. “Vou dar esse diagnóstico para a prefeitura de presente para que ela possa reconhecer de fato quantas estão faltando”, comenta o candidato.
Segundo ele, estas informações foram organizadas em um trabalho junto com ambientalistas que fazem a medição via sistema de geoprocessamento de imagens de satélite de mata ciliar na beira de rios.
A candidata Chiara Ranieri (DEM) reafirma seu objetivo, se eleita, de asfaltar 2.500 quadras de 100 metros de comprimento por oito metros de largura, no período de quatro anos (2013 a 2016). Esse número é muito superior a 1.000 quadras apontadas por seus adversários Rodrigo Agostinho (PMDB) e Clodoaldo Gazzetta (PV) no caderno Agenda Bauru do JC.
A candidata demista refuta que estaria superestimando a quantidade de quadras de terra em Bauru. Ela explica que em um levantamento de campanha seriam mais de 800 quadras e cita alguns bairros como Vila Ipiranga, Santista, Santa Edwirges e Tangarás entre outros. “Porque são bairros inteiros”, avalia a justifica.
Para secretário, não há divergência
O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, comenta que os dados encaminhados para a confecção do caderno Agenda Bauru sobre asfalto não são números que saíram da cabeça dele e tampouco do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). “Esses dados são de técnicos responsáveis por levantamentos da Secretaria de Obras e que identificaram esse mapa e essa prioridade”, frisa Areco.
Ele sustenta que o dado mapeado é a demanda efetiva e real. Para o secretário de Obras, os números apresentados de cada bairro e região correspondem a dados para se fazer planejamento de implantação de infraestrutura a médio e curto prazos.
O secretário de Obras salienta que o fator de ocupação populacional - adensamento - também norteia os critérios da atual administração para asfaltar uma rua. Além do critério de passagem de ônibus e outros fatores peculiares a cada bairro.
Areco exemplifica com o caso do Jardim Mari, que é um loteamento antigo, porém, onde não reside ninguém e que tem um grande número de quadras que não foram contabilizadas nos dados enviados ao JC. “Não mora ninguém”, define.
Ele explica que o Tangarás, assim como outros bairros, realmente possui muito mais ruas de terra do que as 20 citadas no quadro publicado na página 1 do caderno Agenda Bauru do JC e que legenda um mapa indicando os locais na cidade de ruas de terra. Areco também cita que no dado específico do Tangarás há observação de que as 20 quadras são “parte” do bairro e na relação não estão incluídas avenidas e ruas não adensadas. A ocupação populacional é um fator que norteia, conforme o secretário de Obras, o programa de pavimentação asfáltica da atual administração.
153 quadras
O setor técnico da Secretaria Municipal de Obras ratificou, na noite da última terça-feira ao JC, que são 20 quadras de terra no Tangarás e mais 133 do Santa Edwirges, perfazendo 153 quadras de terra nos dois bairros. A Secretaria de Obras salienta que o critério estabelecido no plano de asfalto da administração é de ocupação populacional - adensamento - e vias de passagem de ônibus para implantar a pavimentação asfáltica.
Com relação ao Tangarás, a Obras ainda informa que há necessidade de implantação de galerias de águas pluviais contratadas para serem instaladas a partir da rua Antonio Dezembro, que continua por cerca de 750 metros no bairro com o nome de Flávio Aredes Lopes, até a rodovia Bauru-Jaú.
Esta rua é de passagem do ônibus e uma prioridade para receber o asfalto, após a tubulação de águas pluviais. Também existe uma preocupação, por parte dos engenheiros da secretaria, com relação ao manejo do fundo de vale no Tangarás pelo risco de erosão caso ocorra uma impermeabilização sem cuidado no bairro.
Quanto ao número de quadras de terra informado pela Secretaria Municipal de Obras, a candidata a prefeita Chiara Ranieri afirma que não condiz com a realidade.
“Esse dado que eles passaram (para o caderno publicado no JC no último dia 26) não confere. Aliás, tem muito cadastro na prefeitura que consta quadra como asfaltada e não é asfaltada. No Parque Jaraguá, só no plano que não foi asfaltado tem quase 70 quadras. O próprio plano que foi apresentado foi asfaltado 600 e poucas quadras”, discorda.
Chiara relaciona uma série de bairros para afirmar: “Não são 1.000 quadras de jeito nenhum. E ele (Rodrigo Agostinho) me corrigiu no debate do COC, na Casa do Médico, de que não são 2.500 quadras, e que são 2.000 quadras que têm para ser feitas. Eu disse que minha meta são 2.500 porque o cadastro da prefeitura não confere. Quero atender a todas as quadras da cidade e meu investimento é pensando em tudo”, finaliza.
Morador reclama de ‘vida difícil’ no Tangarás
Célio Silva, morador do bairro Tangarás há 10 anos, admite um certo cansaço ao ouvir promessas de asfalto para o bairro, que existe há mais de 20 anos. Em tom de ironia, ele comentou com o candidato Clodoaldo Gazzetta (PV), em visita ao bairro na última terça-feira: “Gostaria de perguntar ao prefeito (Rodrigo Agostinho) se essa vila (Tangarás) pertence a Pederneiras ou a Bauru”.
O morador relaciona o bairro a Pederneiras porque o Tangarás é um dos bairros que margeiam a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225) que liga Bauru à cidade vizinha, comandada pela prefeita Ivana Camarinha também do Partido Verde, como Gazzetta. Por ser a “porta de entrada” de Bauru, o morador avalia que seu bairro mereceria uma atenção maior da prefeitura.
Para os moradores, a falta de asfalto, como na rua Flávio Aredes Lopes, que interliga o bairro ao Ferradura Mirim, provoca inúmeros problemas, como a linha de ônibus que não desce à parte baixa do bairro, obrigando os moradores a deslocamentos por várias quadras em aclive e para usufruir do ônibus.
A poeira se soma ao mau cheiro vindo de uma tubulação de esgoto rompida próximo a um córrego, segundo moradores. Conforme Silva, o esgoto está poluindo o córrego Vargem Limpa, que vem limpo da região do Parque Ecológico. “Inclusive, lá na frente, a gente pesca”, salienta Célio.
Os moradores reclamam que essa situação de mobilidade por falta de asfalto dificulta as mães que têm que levar os filhos para creches e escolas em outros bairros, porque o Tangarás ainda não dispõe de escola e creche.
