Política

Chiara rejeita secretarias em Estação

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan

Candidata diz que atual administração não sabe priorizar 

os investimentos

Durante participação ontem de Chiara Ranieri (DEM) no primeiro debate promovido pela delegacia de Bauru do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, na Assenag, a candidata afirmou que, caso seja eleita, o prédio da Estação Ferroviária não vai sediar as secretarias municipais de Educação e Saúde, como propõe o governo de Rodrigo Agostinho (PMDB).

Apesar disso, a demista não expôs aos participantes do encontro qual será seu projeto para o prédio comprado por R$ 6 milhões pelo município em 2010 e que aguarda a reforma após a contratação de projeto executivo.

Chiara, porém, sinalizou que pretende manter o imóvel aberto no período da noite, a fim de que a antiga estação, de fato, contribua para a revitalização da região Central. “Pensar que um prédio administrativo é capaz de garantir isso é um absurdo. Por isso, conto com o apoio da Assenag para o futuro da estação”, comentou.

A demora da prefeitura em viabilizar a reforma do prédio também foi alvo de críticas de Chiara, que usou o abandono do imóvel como exemplo para criticar também a cobrança progressiva de imposto às edificações e terrenos do município que não cumpram sua função social. “Falamos tanto em imóveis abandonados, mas a administração pública tem um bem no Centro. IPTU Progressivo é aumento de imposto e pode prejudicar pessoas que não tenham condições de se defender”, afirmou.

As críticas da candidata se estenderam ao processo de compra da estação, pela qual se posicionou contrária como vereadora. Ela afirma que defendia a posse do prédio pelo município, mas lembrou que muitas cidades ganharam os prédios das suas estações ferroviárias. “Além disso, compramos pelo dobro do valor pela qual a estação foi oferecida ao então prefeito Tuga Angerami”, pontuou.

Além disso, Chiara afirmou que a compra ‘emocional’ do prédio, bem como o volume de gastos investidos para que Bauru seja a sede dos Jogos Abertos do Interior em novembro deste ano, mostra que o governo municipal não sabe priorizar a aplicação dos recursos. “Não adianta dizer que investiu. Tem que investir certo. Com os R$ 6 milhões da estação, a prefeitura poderia ter comprado uma grande área para distrito industrial, que foi oferecida ao prefeito”.

 

Demista fala em parceria com governo federal

Candidata associada ao governo do Estado de São Paulo, em razão de sua coligação ser formada por DEM e PSDB, Chiara Ranieri citou, por mais de uma vez, que vai viabilizar obras com recursos do governo federal, estratégia comumente usada pelo adversário Rodrigo Agostinho, que tem o PT em sua ampla base de apoio.

A demista disse que quer eliminar os 2.300 barracos existentes em Bauru a partir da regularização fundiária em locais onde a medida é possível e também com o prosseguimento das construções populares do programa habitacional da União ‘Minha Casa Minha Vida’.

Ela também recorreu ao governo federal para dizer que o município não precisará gastar para a construção de uma Clínica da Mulher, previsto em seu programa. “Hoje estive em Lençóis Paulista, conhecendo a unidade. O de Pederneiras também foi construído com recursos federais”.

 

Secretaria, não

No setor de habitação, bastante abordado por engenheiros e arquitetos presentes ao debate, Chiara negou que vá criar uma secretaria municipal para a área, proposta defendida por grande parte da categoria. “No nosso plano, consta a criação uma Coordenadoria da Habitação, que teria trabalho efetivo, mas não exigiria orçamento específico”, explicou.

 

Planos desconhecidos

A candidata Chiara Ranieri atribuiu também à falta de discussão, por parte da Prefeitura de Bauru, seu desconhecimento dos planos municipais de Mobilidade Urbana e de Resíduos Sólidos. Isso aconteceu em razão de a demista não saber precisar quais são as ações previstas em seu projeto de governo para áreas que dependem desses documentos.

O segundo, por exemplo, sequer foi divulgado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), apesar do prazo para a conclusão ter se expirado no último dia 2 de agosto.


Protagonismo

Chiara Ranieri, motivada por questionamentos dos presentes, também acusou o prefeito de não protagonizar as discussões que são de interesse da cidade, como a crise no sistema hospitalar e a transferência da responsabilidade para o município dos ativos da iluminação pública.

A demista também lamentou o fato de, apesar de sempre pronta para ajudar, a Assenag ser subutilizada pelo poder público municipal como parceria para a discussão e execução de projetos.

Em sua exposição, que durou cerca de uma hora, a candidata apontou os gargalos da administração rodriguista em setores como saúde pública, saneamento, pavimentação e infraestrutura, além da falta de agilidade da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) na aprovação de projetos.

 

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