Bairros

Quadrilha pode ter agido em cemitério

Vitor Oshiro e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

As investigações dos 22 jazigos que foram violados no Cemitério da Saudade, região central de Bauru, já tem uma linha de investigação principal. As apurações indicam a existência de uma quadrilha especializada em furtar cemitérios em busca de peças de ouro. Outros crimes ocorridos na região, na mesma noite, aventaram essa possibilidade.

Quem revela essa linha de investigação é o delegado Paulo Calil. Ele, que era o plantonista responsável por registrar o caso, também responde interinamente pelo 3.º Distrito Policial (DP), que irá conduzir as investigações.

O crime atípico ocorreu na madrugada de anteontem. 22 jazigos do Cemitério da Saudade, a maior parte de famílias tradicionais de Bauru, foram violados. Segundo o BO, arcadas dentárias foram levadas e a principal suspeita era de que os invasores procuravam dentes de ouro.

De acordo com Calil, na mesma noite, dois boletins de ocorrência (BOs) semelhantes ao caso de Bauru foram registrados em Agudos (13 quilômetros de Bauru). O que fora levado do local, entretanto, ainda não se sabe.

”Na mesma noite, foram duas ocorrências em cemitérios em Agudos. Sabemos que foram violações de túmulos também. Com isso, conseguimos avançar bem nas investigações”, ressalta o delegado.

Ele explica ainda que há indícios de que exista uma quadrilha especializada em agir em cemitérios, justamente em busca de ouro. Assim, teriam feito uma espécie de rota em arrastão, passando por Agudos e, posteriormente, por Bauru.

“As investigações estão bem adiantadas e estamos trabalhando rápido para trazer respostas a essas famílias que foram desrespeitadas”, complementa Calil.

 

Conhecimento

Apesar de o Cemitério da Saudade - assim como os outros de Bauru - ficarem completamente vazios durante a noite, os invasores tinham conhecimento no tipo da ação praticada. Mesmo com a fragilidade do local, eles pularam a cerca de concertina e atacaram os “alvos” de maneiras específicas.

Além da profundidade das galerias arrombadas - que exige habilidade em como descer -, todos os buracos feitos nas paredes eram exatamente no local onde estavam posicionados os crânios. “É alguém que tem experiência”, conclui o delegado Paulo Calil.

 

Emdurb fará estudo para instalar câmeras

O prefeito Rodrigo Agostinho adiantou que já solicitou à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) levantamento de custos para instalar câmeras de monitoramento em todo o Cemitério da Saudade. A decisão foi tomada após vários jazigos serem violados na madrugada da última terça-feira, grande parte deles pertencentes a famílias tradicionais da cidade.

Segundo Rodrigo, as câmeras devem ser adquiridas com recursos do próprio município, embora ainda não seja possível estimar quantos equipamentos serão necessários para vigiar toda a área do cemitério. “O custo da câmera é pequeno, mas o terreno é muito grande. Ainda não tenho previsão de quando os equipamentos serão instalados, mas a Emdurb fará o estudo. Queremos evitar que isso aconteça novamente, porque a gente sabe que é algo doloroso e extremamente chato”, frisa o prefeito, que também teve o jazigo de sua família violado.

Há cerca de quatro anos, a prefeitura havia instalado concertinas sobre os muros do cemitério e desde então, não tinham sido mais registrados atos de vandalismo no local. “Antes, tínhamos cercas elétricas, que não funcionavam porque eram facilmente cortadas com alicates”, frisa. Não é cogitada a hipótese de contratar vigias para garantir a segurança do cemitério.

 

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