Polícia

PM implanta ?Vizinhança Solidária?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

O assalto que terminou com a advogada Idalina Aparecida Lorusso Barbosa, 46 anos, baleada deixou os moradores do bairro Jardim Estoril 3 bastante assustados (leia mais abaixo). Para combater a sensação de insegurança, a Polícia Militar (PM) iniciará, na próxima semana, o projeto “Vizinhança Solidária”. A prática já seria implantada em Bauru e o crime foi o “estopim” para eleger o bairro piloto.

De acordo com o oficial de Relações Públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra, a iniciativa consiste em criar uma autoproteção entre os vizinhos.

“É uma ideia que deu certo na Capital e que já estava prevista para ser disseminada por todo o Estado. Estávamos estudando um bairro para implantar o projeto piloto. Fizemos uma reunião na tarde em que o crime ocorreu. De noite, veio o assalto e escolhemos o Estoril 3”.

O capitão afirma que o patrulhamento está sendo realizado na região e os índices de criminalidade estão estáveis, porém, o modo de operação dos bandidos faz com que os moradores tenham sensação de insegurança muito grande.

Com isso, a ideia do projeto é fazer com que os próprios moradores se tornem “olhos avançados da polícia no bairro”.  O comandante da área irá se reunir com moradores e passar dicas de segurança. Além disso, será montada uma lista com nome, telefone e placas dos veículos entre os vizinhos.

“Um poderá ver se ocorre algo de estranho na casa do outro. No assalto da advogada, uma pessoa disse que viu uma moto diferente. Se os vizinhos se conhecessem bem, poderia ter sido diferente”, ressalta o capitão Alan Terra.

Além do bairro Estoril 3, o projeto começará a valer nos entornos da praça Doutor Luiz Zuiani, na Vila Cardia. “A ideia é que seja expandido para outros bairros no futuro”, complementa o oficial de relações públicas.

 

Obras

Apesar de o projeto “Vizinhança Solidária” ainda estar em fase de implantação, moradores afirmam que já estão recebendo dicas de policiais. Todos pediram para ter a identidade preservada e relataram que alguns pontos estão sendo destacados.

Um desses alertas diz respeito aos “novos vizinhos temporários”. Para se ter uma ideia, em uma única quadra do Estoril 3, há sete imóveis e terrenos em obras. Nessa questão, até o boom da construção civil entrou como um vilão.

“Para suprir a falta da mão de obra da construção civil, estão contratando qualquer um. Isso, segundo a própria polícia, é um risco. Por isso, a população deve conhecer quem são esses novos vizinhos temporários”, aponta um dos moradores, que teve a casa furtada recentemente.

O contexto das obras ainda levanta outro alerta. Elas podem servir como facilitadores para o crime. Os pilares que vão sendo erguidos e os tapumes são usados pelos ladrões para acessar o alvo e se esconder.

“O proprietário da obra precisa ficar atento a isso. Ele não deve pensar só em sua obra. Precisa ver o entorno. Precisa ver como pode estar ajudando um ladrão”, finaliza outro morador do Estoril 3.

 

Prevenção

O oficial de Relações Públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra, destaca a importância da prevenção pessoal. É com essa relevância que ele responde o questionamento de uma possível transferência de responsabilidade.

A segurança da população é um dever estadual. Sempre que a polícia bate na tecla de que a população precisa se proteger em primeiro lugar, surge a crítica de que estariam transferindo a responsabilidade do policiamento para a sociedade.

“Hoje, dizem que a escola é que deve educar, quando, na verdade, esta é uma responsabilidade da família. O mesmo ocorre com a polícia. A polícia é um fruto da sociedade e dá uma resposta à altura para ela. Mas sempre precisa existir a prevenção primária”, conclui.

 

Moradores do Jardim Estoril 3 temem novos crimes no bairro

Mesmo com o projeto “Vizinhança Solidária”, o bairro Jardim Estoril 3 tem um clima de insegurança instalado. Por fora, as casas parecem verdadeiras fortalezas, com câmeras de vigilância, cercas eletrificadas e muros altos. Por dentro, os moradores afirmam viver com medo.

“Já fizemos até reuniões para contratar vigilantes”, revela uma dona de casa, de 48 anos. “Raramente passa polícia por aqui”, complementa uma das moradoras. Ela, assim como todos os outros, pediram para terem suas identidades preservadas.

Dois jovens, com idades de 19 e 20 anos, confirmam a sensação de insegurança. “Sempre que chegamos tarde, chegamos com medo. A segurança aqui realmente deixa a desejar”, relata um dos garotos, que já teve a casa furtada duas vezes.

Para todos eles, os problemas sãos os mesmos. Além de pedir mais policiamento, reclamam do mato alto e de falta de iluminação. “Teve uma casa que foi assaltada este ano e a família se mudou daqui. Parece não ter jeito de vivermos sem medo de algo ruim acontecer”, finaliza um aposentado, de 64 anos.


Cordão umbilical

Há algum tempo, o projeto “Vizinhança Solidária” foi implantado no Parque São Geraldo. Na época, tinha o nome de “Vizinho Solidário”, porém, o mesmo objetivo. O capitão Alan Terra conta que o “cordão umbilical” foi cortado e a iniciativa parece ter dado certo.

“É isso que pretendemos agora: estabelecer regras de convivência que ampliem a segurança. Depois, cortamos o ‘cordão umbilical’ e eles continuam sozinhos. Vira um hábito”, ressalta o capitão. 

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