A contaminação remanescente de chumbo no solo do Tangarás é apontada pela Prefeitura de Bauru como entrave para a construção de duas escolas municipais do bairro. Em função do problema, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) estaria exigindo a concretagem sob toda a área construída das entidades. A secretária municipal de Educação, Vera Casério, diz que já recebeu a informação sobre o posicionamento do órgão, mas o laudo final ainda não chegou à Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan). Segundo ela, a solicitação foi feita no final de 2010.
Inicialmente, seria construída uma escola estadual de ensino fundamental no bairro. No entanto, como comentou o próprio prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), em reportagem publicada na edição de segunda-feira do Jornal da Cidade, o projeto deixou de ser prioridade em função de outras regiões com maior demanda.
Apesar disso, o município reconhece a necessidade de novas escolas no Tangarás e programou a construção de duas unidades para o ano que vem. Vera afirma que uma área com mais de 8 mil metros quadrados, que abrigaria a duas escolas, já está reservada para as obras, entre as ruas Valdir José Bueno e Carlos Teixeira Gomes.
A secretária alega que a proposta é que as construções tenham início do ano que vem, mas ainda dependem da emissão do laudo pela Cetesb. Outro ponto é a questão orçamentária em função da exigência de concretagem.
Casério diz que essa demanda encareceria as obras, mas não sabe pontuar qual seria o impacto no preço final das obras.
A unidade de ensino infantil, que deve funcionar em período integral, está orçada em R$ 1,5 milhão. Já a de ensino fundamental, que exige maior estrutura, custaria em torno de R$ 3 milhões. Tudo isso, é claro, sem contar com a concretagem de todo o terreno em que as unidades seriam construídas.
Procurada pela reportagem, a Cetesb informou que precisa fazer um levantamento para se pronunciar sobre o caso.
Secretária vê contradição e complica prefeitura
Enquanto comentava a exigência de concretagem para as futuras escolas do Tangarás, Vera Casério levantou um questionamento, já apontado pelo vereador Roque Ferreira (PT) na sessão legislativa de segunda-feira. O ponto é que a observação recai sobre a inércia do município diante da necessidade iminente de pavimentação no Tangarás.
A secretária afirmou que, com a concretagem da área sobre a qual estarão as escolas, as crianças estariam protegidas da contaminação apenas da porta da unidade para dentro, já que têm contato direto, no dia a dia, com as ruas do bairro, que não são asfaltadas.
A constatação mostra que, apesar de as obras de pavimentação serem abordadas pela administração como uma de suas principais vitrines, ela não levou em conta questões importantes, que envolvem saúde pública, para priorizar suas ações neste sentido.