Política

Eleitor rejeita campanha que suja

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

A campanha eleitoral e suas diferentes formas de propaganda sempre geram discussões entre aqueles que gostam e os que não suportam as abordagens dos políticos. Na eleição em que os cavaletes são alvo de grande polêmica, surgiram até movimentos na Internet, incentivando que eleitores chutem essas estruturas espalhadas pela cidade. Contudo, a propaganda no rádio e na TV é a que parece ter menos rejeição entre a população. Um dos motivos é não sujar a cidade.

É o que pensam, por exemplo, Alcindo Souza Pereira, 22 anos, e Arlindo Savi, 72, ouvidos pela reportagem do JC no Calçadão da rua Batista. O principal argumento é de que a campanha nos veículos de comunicação de massa não polui e tem o acesso praticamente irrestrito entre os eleitores.

No entanto, existem aqueles que apresentam restrições até mesmo a este tipo de propaganda, como a auxiliar administrativa Naiara dos Reis Silva Costa. Apesar disso, ela entende que a televisão ainda é o melhor caminho para que os eleitores conheçam as propostas dos candidatos, a partir dos debates promovidos pelas emissoras.

O antropólogo Cláudio Bertolli diz que a maior aceitação pela propaganda na TV se dá até mesmo por motivação histórica. “Desde a minha infância, existe a campanha na televisão. Então as pessoas estão mais acostumadas com ela”, pontua.

Apesar de muitos reclamarem por conta do horário político atrapalhar a programação normal, a campanha na televisão e no rádio da o direito de escolha ao eleitor. “Ele não é obrigado a lidar com ela, pois pode desligar a TV no momento em que quiser. Não há uma exposição forçada”.

Ainda assim, Bertolli ressalta que muitas pessoas deixam o aparelho televisor ligado durante a propaganda política mesmo que não dediquem total atenção a ela. “Existem ainda aqueles que buscam o bizarro e o engraçado no horário eleitoral. Cada vez mais candidatos, buscam artifícios do tipo para chamar a atenção do eleitor”, comenta Bertolli.

Com as restrições da legislação eleitoral, a avaliação é de que a propaganda na TV ganhou ainda mais importância. Isso porque os partidos políticos foram proibidos de distribuir brindes e organizar os showmícios.

Não é a toa que as candidaturas buscam agregar o maior número possível de legendas para ampliar o tempo de exposição das coligações no rádio e na televisão. A do candidato à reeleição, Rodrigo Agostinho (PMDB), reúne 15 siglas e tem mais da metade do tempo dedicado à campanha televisiva em Bauru.

No entanto, Bertolli ressalta que mesmo a propaganda na TV pode ser uma faca de dois gumes. “O fator carisma é fundamental. Se o candidato não tiver, muita exposição pode ser prejudicial”.

 

Santinhos

Antes considerada a principal estratégia de campanha, a distribuição de santinhos é cada vez menos comum. Além da rejeição por parte da população, até mesmo por ideais ambientalistas, Cláudio Bertolli pontua que a prática se tornou cada vez mais cara com o desenvolvimento das cidades e crescimento da população.

“Por conta disso, as placas e até os cavaletes estão sendo mais adotados, mas aquele mesmo ponto, da exposição forçada, faz com que haja rejeição a esse tipo de propaganda”, conta.

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