A pequena Sofia Martins acordou às 5h da manhã. O programa de domingo da garota de 5 anos já era certo: o desfile cívico de Sete de Setembro de Bauru. “Sei que a bandeira não pode ficar rasgada e nem no escuro”. Sofia foi uma das aproximadamente 15 mil pessoas que lotaram o Sambódromo na manhã de ontem. As camisas e bandeiras do Brasil evidenciavam o sentimento cívico, que não tinha idade para aparecer.
“Ela vem desde os 2 anos. É um modo de aprender desde cedo valores como o sentimento cívico e o patriotismo”, destaca a mãe de Sofia, Dalva Martins Costa, 42 anos, toda trajada com o uniforme de escoteira.
E o desfile que a garota não perde desde os 2 anos contou, este ano, com 48 entidades, sendo 26 militares e 22 civis. PM, Marinha, Exército, Bombeiros, escolas, projetos e entidades religiosas demonstraram seu amor à pátria. Nos bastidores, cabos eleitorais e candidatos protagonizaram um desfile à parte (leia mais abaixo).
O forte calor não repeliu a população, que compareceu em grande peso. “Como tem mais entidades este ano, veio mais gente. Estimo cerca de 15 mil pessoas”, aponta o secretário de Cultura de Bauru, Élson Reis.
Para contornar o tempo seco e as altas temperaturas, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) distribuiu vários pontos de hidratação.
Seria impossível listar tudo que passou pelo desfile. Desde a cavalaria e os cachorros adestrados da PM até o sobrevoo do helicóptero Águia da corporação. Desde bandas e escolas de artes marciais até o desfile das graciosas baianas da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru.
Caio Henrique dos Santos, 10 anos, entretanto, queria ver algo especial. Ele deu um jeitinho de entrar bem perto de onde o desfile ocorria. “Vim aqui ver minhas irmãs, que estão desfilando”, conta o garoto, sentado ao lado de sua bicicleta na calçada.
Gerações
Ver crianças como Sofia e Caio enche de orgulho Francisco Ferreira Nunes, 80 anos. Da arquibancada, com sua família, ele assistiu a todo o desfie. “É muito importante despertar esse sentimento cívico na criançada. Acho que, antigamente, isso era mais incentivado. Toda criança sabia cantar o hino, por exemplo”.
Para ele, o desfile cívico de Sete de Setembro tem ainda um gostinho ainda mais especial. “Sou militar reformado. Este sentimento patriota faz parte do espírito militar. Por isso, esta é uma data muito importante para nós”, aponta.
Mesmo sentimento do ex-combatente Antônio Honorário de Lima. “Estou com 90 anos e dois meses. Não escuto direito, meu filho”. Não precisou escutar a entrevista. O orgulho estampado em sua face já dava a dimensão do seu amor à pátria.
A realização do desfile foi coordenada pela Secretaria Municipal de Cultura, com apoio das outras pastas; DAE; Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb); além da Baurutrans, Grande Bauru e Cidade Sem limites.
‘Desfile eleitoral’
Enquanto as entidades demonstravam seus passos treinados pelo Sambódromo, os cabos eleitorais promoviam um desfile à parte nos bastidores. Sobre as arquibancadas, a cada passo, a reportagem era abordada por alguém entregando um santinho.
E não eram só cabos eleitorais. Estacionados, havia dezenas de carros com cartazes dos candidatos. Um deles aproveitou para ficar na avenida Nações Unidas para atrair a atenção dos motoristas que saíam do Sambódromo.
Cada um celebra sua própria independência
E a data que marcou a independência do Brasil também teve este mesmo sentido simbólico para outras pessoas que compareceram ao Sambódromo. Foi um dia para refletir e reassumir sua própria independência.
É o caso da tenente Ana Maria Spuri Borin Sanioto. Em meio a vários colegas de profissão homens, ela ressaltou a importância da independência feminina. “É algo muito importante. Hoje, em minha profissão, sou muito respeitada. Mas a luta das mulheres sempre tem que continuar evoluindo. Ser independente é muito importante”.
Ana Carolina Mesquita de Sousa, 13 anos, foi uma das alunas que desfilou pela Apae. Do lado de fora, a mãe Sueli Mesquita de Sousa, 40 anos, transbordava de orgulho. “Ela é muito independente. Faz de tudo. E, por isso, ela participa de todos os eventos. Desfilar aqui é importante para mostrar isso”, disse a auxiliar administrativa, antes de ser puxada pela filha independente e encerrar a entrevista.
O tenente-coronel Almyr Vilar Moreira Pinto, chefe da 6.ª Circunscrição de Serviço Militar (6ª CSM), afirma que a ampla participação da população no evento mostra a importância que a independência tem. “O povo quer ter sua história. Quer mostrar sua independência”, conclui.