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Vizinhança Solidária, projeto que precisa dar certo em Bauru

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

As famílias e a sociedade bauruense ficaram abaladas e amedrontadas com o recentíssimo acontecimento ocorrido no Jardim Estoril 3, sequestro de uma pacata e ordeira família o qual, felizmente, não teve mais trágicas consequências, fato que evidencia, indiscutivelmente, a ousadia dos marginais e a vulnerabilidade a que estamos sujeitos, todos nós, pacatos e inocentes cidadãos. O JC, desfraldando a bandeira do "chega de violência", tem dado cobertura total ao fato ocorrido com o intuito de sensibilizar e movimentar as autoridades responsáveis pela sociedade bauruense, sendo digna de destaque a corajosa manifestação/desabafo do jornalista João Jabbour, publicada na edição da antevéspera do "Dia da Independência" e intitulada "Uma triste ironia". A propósito do fato e da intenção de "Prevenção" informada pelo capitão Alan Terra, relações públicas do 4º BPM-I, reporto-me a alguma vivência e avaliação que tenho sobre "Vizinhança Solidária" que, sem qualquer outra intenção, a não ser a de colaborar e testemunhar sua eficiência faço-o através desta despretensiosa matéria. Temos uma filha que mora em Minneapollis, Estado de Minessotta, Estados Unidos, há 23 anos, cidadã americana, enfim, somos avós e bisavós. Primeiramente como pais e depois como avós, estivemos várias vezes visitando essa família, parte de nosso ser, o que sempre foi motivo de prazer, alegrias e de enriquecimento de experiências sobre a cultura daquele valoroso e admirável povo.

E eu, responsável, disciplinado e obstinado safenado, tenho por hábito diário, logo pela manhã, a efetuar longas caminhadas. Em todos os lugares onde vou, sem exceção, faço minhas caminhadas. E em Minneapollis não fugia à regra, programando para cada manhã um trajeto diferente, com o intuito de não repetir e conhecer novos bairros. Convém ressaltar que com estas caminhadas muito aprendi e constatei, por exemplo, de que nos lares americanos a cozinha fica na frente da casa, com ampla visão da rua e vizinhança. A família americana tem um respeito absoluto pela privacidade, não interessando à mesma o que a outra família vizinha estiver fazendo dentro do seu lar, desde que não prejudique ou cause problemas aos vizinhos próximos. A família tem o direito de fazer e viver do jeito que quiser dentro de sua casa, desde que não moleste o vizinho. No entanto, paradoxalmente à privacidade absoluta, o sentimento de solidariedade é muito grande, pois o que acontece e se passa ao bairro e a uma família é de interesse de todos. Nos bairros, existem placas similares às nossas de trânsito em que está gravado ou pintado o perfil de um globo ocular, isto é, um olho, com a inscrição em letras bem grandes "WATCH? (cuidado), que significa o seguinte "você está sendo observado, cuidado". Pois a vizinhança está atenta, está de olho!

O vizinho sabe tudo sobre os demais, quantas pessoas vivem, quantos carros há, hábitos dos filhos etc.. Qualquer fato estranho que uma família observe em frente à sua ou em relação à outra, imediatamente chama a polícia comunitária. Prevalece o sentimento de solidariedade de um para com todos e de todos para um. Nas minhas caminhadas sabia que era observado, não sabia de onde ou de qual casa; a pessoa ou pessoas observadoras sabiam que eu não era daquele bairro, mas estava caminhando, devido aos meus trajes. No entanto, ai de mim se ficasse parado defronte de uma residência ou perto de algum carro estacionado e que não era de morador do bairro ou de algum parente. Valeu e aprendi muito! Pela experiência que tive e considero perfeitamente exequível, sou de opinião que aqui em Bauru também dará certo. É preciso implantar, aperfeiçoar e esperar, pois educação e cultura levam tempo para produzir mudanças.

O autor, professor Joaquim Eliseo Mendes, é membro efetivo da ABL

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