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O ?gato-cachorro? do Higienópolis

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

A bancária Mariana Turtelli Roque, 37 anos, e seu esposo o jornalista Thiago Renato Roque, 33 anos, não vivem sem Eddie. “Brinco que o Eddie é meu relacionamento mais longo”, comenta Thiago. Já se vão 11 anos desde que o jornalista foi presenteado por sua amiga Juliana com um gato macho. A preferência era por uma fêmea, porém Eddie conquistou Thiago. Mariana convive com o gato vira-lata Eddie há dois anos.

Thiago conta que o gato nasceu em uma fábrica que ficava em frente à casa de Juliana, em Araçatuba. O jornalista define que Eddie é um gato-cachorro, principalmente, no trato com Mariana. Segundo Thiago, sua esposa chega e Eddie está postado na porta aguardando a dona, hábito típico de cães. Na hora que Mariana vai dormir, o gato vai junto. “É extremamente amoroso, de nos acordar de manhã com lambida no nariz para ganhar ração”, acrescenta.

Há cerca de duas semanas Eddie sumiu. Mariana e Thiago souberam de pronto que o gato havia desaparecido ao chegarem em casa sem a costumeira recepção de Eddie. “Abrimos a porta e ele não veio. Mariana chamou e ele não respondeu. Começamos a procurar e não o achamos”, relembra Thiago.

Eddie sempre foi um gato de apartamento.  O casal reside em uma casa há um ano e Eddie fugiu por um portão lateral que dá acesso ao telhado da residência. A preocupação aumentou porque, até então, o bichano não havia saído de casa, portanto a vizinhança era um território desconhecido.

O casal cruzou o bairro em busca do gato no dia de seu desaparecimento. “Mariana chorou muito, mas nunca deixou de acreditar no retorno do Eddie. Eu confesso que, depois de 10 dias, estava um tanto desacreditado, apesar de não parar de procurar por ele. No sábado anterior ao retorno do gatinho, passei a madrugada toda andando pelo bairro, chamando por ele”, relembra o dono. 

Foram 16 dias com o gato sumido. O casal iniciou uma “campanha” para reaver Eddie. Cartazes foram espalhados em postes na região do Higienópolis. Eddie foi parar no Facebook e sites que divulgam animais desaparecidos. Os donos também anunciaram nos classificados do JC o desaparecimento do bicho de estimação. Thiago conta que o anúncio rendeu várias ligações de pessoas se prontificando a doar um outro gato para o casal.

Na manhã da segunda-feira passada, uma vizinha acabou com o sufoco do casal. “Ela veio até nossa porta dizer que um gatinho de olhos azuis estava parado em seu jardim, assustado. Mariana correu até lá e viu que era o Eddie que tentava voltar para casa”, explica Thiago.

Eddie está ainda mais companheiro depois de passar dias sem os donos e longe de casa. Segundo Thiago, ele e o gato são muito afinados. Com Mariana os laços se fortaleceram ainda mais, com Eddie não desgrudando de sua dona. Thiago conta que se a esposa está na cozinha, o gato fica de olho em Mariana. Dorme com ela e pede carinho quando o casal assisti à TV. “Eddie acompanha Mariana até no banho. Agora, depois do acontecido, ele está ainda mais carente e companheiro”, define o dono.

A relação entre o casal e o gato é bastante intensa. Thiago conta que, apesar dos 11 anos de relacionamento com Eddie, o bichano tende para Mariana. Conforme o jornalista, Eddie chegou a lhe morder pensando que as cócegas que fazia em Mariana machucavam sua dona. “Em casa, brinco que ele é puxa-saco da patroa. A Mariana chega a gritar pelo gato quando faço ameaças neste sentido e o gato aparece, olhando feio pra mim. É incrível”, comenta.

Mariana revela que Eddie curte o som da banda Ultraje a Rigor. Eddie já morou em Bauru, Jundiaí e São Paulo seguindo o roteiro de trabalho de Thiago. Nessas idas e vindas, a dupla  vivenciou aventuras graças às peripécias de Eddie. No período em Judiaí, Thiago morava em um apê no térreo, condição que facilitou a fuga do bichano pela janela da cozinha que dava de muro com o vizinho. “Lá vou eu, de cueca, buscar o gato no muro”, comenta Thiago. Em São Paulo, no momento mais tenso até então, Eddie caiu do terceiro andar. “Lá vou eu, de bermuda de pijama, camiseta dos Beatles e descalço levar o gato para o veterinário. Detalhe: na queda, ele só quebrou uma unha”, relembra o jornalista.

 

Quem é o médico do meu bicho?

O médico veterinário estuda cinco anos medicina veterinária em um curso de graduação para ser um especialista com diversas competências e com conhecimento de animais de todos os portes.

A coordenadora do curso de Veterinária da Universidade Paulista (Unip) em Bauru, Silvia Helena Sgarbosa, conta que cresce a demanda pelo profissional médico veterinário. O curso em Bauru começou em 2004 e já formou quatro turmas. Atualmente, as novas salas estão com cerca de 60 alunos cada.

O profissional médico veterinário tem diversas opções na carreira. Um médico veterinário pode atuar, além de clínicas, na inspeção de alimentos de origem animal, de frigoríficos e de laticínios. Trabalha na vigilância sanitária, órgão constituído pelo poder público. Em órgãos públicos, como a Polícia Federal (PF). Na área de segurança pública, o médico veterinário atua no canil e na cavalaria. Além de coordenar o curso, Silvia coordena a Clínica Veterinária da Unip.


Melhor amigo do cão

O dono de um animal é seu melhor e também seu pior amigo. O compartilhamento dos mesmos ambientes domésticos também é fator que determina a abordagem médico-paciente-proprietário.

A médica veterinária Silvia Sgarbosa alerta as pessoas que animais criados dentro de casa exigem maior atenção. Ela cita que excesso de banhos retiram a proteção natural do animal, como cachorros e gatos. A médica veterinária frisa que dois a três banhos por semana podem trazer prejuízo ao animal.

Os cuidados básicos com o animal são com a vacinação e vermifugação. O ambiente também precisa ter uma higienização constante.


Por que é importante?

Os animais de estimação ganharam muita importância no relacionamento familiar. Também são ótimas companhias para crianças e idosos.

A presença de animais na convivência não pode inverter as prioridades das pessoas, que necessitam estabelecer laços de afetividade equilibrados também com os animais e reconhecer suas necessidades específicas. 

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