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Oferta de emprego tem cenário otimista

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 9 min

Há vagas. Sonhado por muitos desempregados em tempos de “vacas magras” no mercado de trabalho, o anúncio atualmente é figura fácil em Bauru. Basta percorrer o centro da cidade e cartazes em busca de candidatos a postos de emprego, principalmente no comércio, podem ser vistos sem gastar muito solado de sapato.

O crescimento nos últimos anos, atrelado à resiliência da própria economia nacional às intempéries financeiras em outros países, gera alta expectativa de contratações em Bauru para o segundo semestre. Daqui até dezembro, ao menos conforme os ditames do mercado, a temporada de contratações estará aquecida.

Em Bauru, o carro-chefe da temporada de contratações segue a cargo do setor de serviços. Seguido pelo comércio, o filão, de acordo com números da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico, é responsável por quase metade das contratações formais. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram criados 4.132 postos com carteira assinada, de acordo com a pasta.

Até dezembro, ainda conforme a secretaria, a expectativa está em torno de 4,5 mil novas vagas, com registro em carteira, na cidade. “A área de prestação de serviços nunca fechou com balanço negativo”, observa Tatiana Rosária Rodrigues, diretora da divisão de serviço da pasta municipal. Somente ano retrasado, lembra ela, dos mais de 116 mil postos formais, mais de 52 mil eram gerados pelo setor.

O crescimento da economia local nos últimos anos, que gera bons prognósticos para o segundo semestre, chegou a ser destaque, ano passado, também na mídia nacional. Em estudo realizado pela revista Veja, de novembro de 2011, Bauru aparece em quarto lugar no ranking de empregabilidade entre municípios brasileiros, com crescimento de 13,7%.

Para a diretora da secretaria municipal, essa condição é reflexo do que ela denomina “pulverização” de campos de atuação. “Se a indústria de transformações, por exemplo, sofre altos e baixos, temos o comércio forte, assim como a construção civil. Desta forma, um setor supre o outro que, eventualmente, enfrente dificuldades”, ilustra.

Há vagas

No estudo divulgado pela revista no ano passado, eram apontadas oportunidades para candidatos plenamente preparados para as vagas. Apesar de disponíveis, as chances exigem qualificação. E é aí que surgem as dificuldades para preenchimento de toda a demanda. “As perspectivas quanto às vagas efetivas abertas são otimistas. A questão é qualificação”, salienta Alexandre Ciro Perin Bertoni, diretor regional do Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), órgão vinculado à Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert). “Gente de outras regiões, inclusive, são atraídas para cá”, salienta, destacando programas de qualificação mantidos pelo órgão para absorção de recursos humanos locais, entre eles o Programa Estadual de Qualificação, junto ao Centro Paula Souza. “Mas há muitas vagas que esperam preenchimento”, reforça, citando. Mensalmente, o PAT/Bauru disponibiliza, em média, 600 ofertas de emprego. Desse montante, contabiliza Bertoni, cerca de 30% não são preenchidas e entram nas disponibilizações do período seguinte. Prestação de serviços e comércio, especifica, também predominam entre as oportunidades de trabalho anunciadas no órgão estadual. Para ele, a expansão do mercado de trabalho é fruto do crescimento inerente ao próprio interior paulista – com a saturação da capital --, com Bauru em situação privilegiada quanto à localização centralizada e estrutura logística. “O interior se tornou muito atrativo. Na Grande São Paulo, atualmente, há dificuldades logísticas, com malha saturada. Temos estrutura, estradas e localização. Há uma migração para cá. Vivenciamos uma fase diferenciada”, analisa.

Momento é positivo para contratar

A expectativa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Bauru é de uma geração aproximada de 4,5 mil postos de trabalho, com carteira assinada, até dezembro. Contudo, o contingente de recém-contratados pode ser ainda maior, se consideradas estimativas sobre trabalhadores de serviço novo há pouco tempo ou sobre negócios com inauguração em breve futuro.

Entre eles, o novo shopping center da cidade, erguido na Vila Antarctica. Apenas no empreendimento, trazido à cidade pelo Grupo Marca, as contratações (realizadas no primeiro semestre e futuras) estão estimadas, ao todo, em 2,5 mil, apenas para a construção do prédio, com previsão de entrega para novembro.

Já as operações do novo empreendimento também podem contar com algo em torno de 2,5 mil funcionários diretos e 15 mil indiretos, calculou o Grupo Marca, antes mesmo do início das obras. “Todas as expectativas, desde 2008, quando iniciamos os estudos e pesquisas de mercado, foram confirmadas”, considera Avelino Cortelini, revelando que os cálculos para contratações, em empreendimentos de grande porte, geralmente, são baseados nas dimensões de áreas construídas.

Além do segundo shopping center a ser implantado na cidade, outras empresas estudam iniciar negócios na cidade, entre eles, antecipa Rodrigo Riad Said, titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). Entre eles, lojas de varejo ligadas a uma grande rede atacadista, bem como importantes empreendimentos nos segmentos de material esportivo e construção.

No Bauru Shopping também haverá incremento em contratações, mas as estimativas deverão ser formuladas ainda ao longo da semana.

Tijolo por tijolo

Dentro da construção civil, ainda de acordo com o secretário do planejamento, apenas no primeiro semestre, 611 obras foram regularizadas. Atualmente, sete edifícios residenciais são erguidos. “Isso dá um total de 2.528 unidades. Isso, inevitavelmente, resulta em demanda por mão de obra”, salienta Rodrigo.

Para o diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) em Bauru, Renato Parreira, o cenário no setor, apesar de não haver mais o crescimento meteórico registrado há dois anos, é positivo, com previsão de alta nas contratações para até o final do ano. “Há uma variação muito grande, com obras em início e término”, ressalva. “Mas a tendência é de crescer”, vislumbra.

Conforme o sindicato, nos primeiros seis meses do ano, o acréscimo de vagas no setor em Bauru foi de 7,2%, meta que deve ser repetida no segundo semestre. “Antes, tínhamos 16,4 mil empregados no setor, hoje são mil a mais”, contabiliza, salientando que, no último mês do ano, a tendência é a diminuição nas contratações. “Nas festas de fim de ano, geralmente, as obras desaceleram”, detalha.

Conforme Parreira, o crescimento em geração de empregos dentro da construção civil em Bauru foi maior do que a média nacional, em torno de 5%. “O mercado estabilizou entre 2011 e 2012. Mas o crescimento é constante e estamos num patamar tranquilo, sem influência de crises externas”, conceitua.

Duas mil vagas no comércio

Na esteira do crescimento e já em ritmo de preparação para as vendas no final do ano, o varejo também apresenta boas perspectivas de contratações, muitas delas efetivas.

De acordo com a Câmara de Dirigentes Logistas (CDL), a expectativa até dezembro é de abertura de 2 mil postos de trabalho para funcionários temporários. “Cerca de 30% são efetivados”, calcula José Aldemiro Alves, vice-presidente da entidade.

Porém, o setor também enfrenta dificuldades em contratar mão de obra qualificada. “Vaga tem o ano todo”, assegura Aldemiro. “O desafio é encontrar profissionais com a qualificação exigida”, observa. “Antigamente, recebíamos muitos currículos. Hoje a situação é inversa”, testemunha o dirigente, proprietário de estabelecimento no centro da cidade.

Supermercados projetam impulso

As expectativas do setor supermercadista também são positivas quanto as vendas para os próximos meses. É o que aponta um recente estudo, conduzido pela Associação Paulistas de Supermercados (Apas). A projeção de crescimento de vendas está na casa dos 60%, aponta o levantamento, denominado Pesquisa de Confiança dos Supermercados.

O otimismo, conforme nota divulgada pela Apas é impulsionado pela proximidade das festas de fim de ano e a redução da taxa de juros. Com a redução das taxas, há um ambiente mais propício para o incremento nos investimentos em expansão e reformas”, relaciona Martinho Paiva Moreira, diretor do Departamento de Economia da Apas. Levantamento realizado pela Apas com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego aponta que no o Estado de São Paulo a expectativa é que haja crescimento de 2% a 3% entre novembro e dezembro, diante das festas de fim de ano, momento em que o setor supermercadista apresenta o maior volume em vendas e faturamento.

A região de Bauru emprega, aproximadamente 7,3 mil funcionários nos supermercados da região. Em 2011 o crescimento entre novembro e dezembro foi de 5% de acordo com dados do Caged do Ministério do Trabalho e Emprego. Para 2012, a expectativa é de crescimento de 6% entre novembro e dezembro.

Com a palavra

O diretor da regional de Bauru da Apas, Emerson Luiz Svizzero, diz que final do ano tem potencial para mais contratações.


Jornal da Cidade - Quantas vagas a cidade de Bauru tem potencial para gerar até dezembro no setor supermercadista?Emerson Luiz Svizzero  - Comparando com 2011 nos meses de outubro, novembro e dezembro somaram 377 vagas adicionais. Desta maneira, o potencial para os meses de outubro, novembro e dezembro deste ano é de, aproximadamente, 400 vagas adicionais.

JC - Essas vagas são, tradicionalmente, concentradas em que setores das lojas entre os meses de setembro e dezembro?

Svizzero - As vagas são distribuídas entre todos os setores do supermercado, já que as vendas aumentam em todas as categorias. Desta maneira, estoquistas, repositores, empacotadores, operadores de caixa e funcionários para setores como carnes, perecíveis em geral são demandados nesta época do ano.

JC - Há algum fato novo neste ano que pode impulsionar ainda mais a geração de empregos?

Svizzero - O aumento do poder de compra da população diante da elevação do emprego e da renda em diversos setores de atividade vem impulsionando o comércio em geral, e neste caso, o supermercados vem sendo afetados positivamente, com aumento de vendas.

‘Azar de uns, sorte de outros’

No viés industrial, porém, o cenário é de cautela nas contratações. A oferta de vagas no setor esfriou, em comparação a outras áreas em crescimento como serviços, comércio ou construção civil (galopante há dois anos). “Na indústria as perspectivas (até o final do ano) não são boas”, admite Domingos Malandrino, diretor regional do Centro das Industrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Segundo ele, caso haja crescimento, a taxa de contrações industriais não passarão da casa de 1%. Contudo, minimiza, existem perspectivas de melhoras mas que serão contabilizadas apenas no primeiro semestre do ano que vem.

Entre os obstáculos enfrentados pelo setor, observa, está a forte concorrência com importados. “Alguns setores vão de vento e popa nas contratações, como serviços e comércio. Azar de uns, sorte de outros”, compara.

Contudo, salienta, dentro do setor de serviços, especialmente em Bauru, observa o diretor do Ciesp, um dos carros-chefe nas contratações é a recuperação de crédito. Se cresce a demanda por funcionários das empresas de cobrança, lembra, é porque tem mais gente devendo na praça. “A inadimplência aumenta”, avalia. 

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