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De que forma podemos nos defender dos bandidos?

Marcos Wanderley Ferreira
| Tempo de leitura: 3 min

No ultimo dia 4, um pai e seus dois filhos viraram reféns de bandidos ao voltar para casa. Cerca de 30 minutos depois, a esposa chegou do trabalho e, ao adentrar a garagem, se deparou com a movimentação de estranhos dentro de sua casa. Sua reação foi a de usar a buzina e tentar engatar marcha-a-ré no carro, quando foi atingida por um disparo de um dos bandidos, a mais ou menos um metro de distância, perfurando o para-brisa de seu carro e atingindo vários órgãos vitais, inclusive o pulmão. Mesmo assim, ainda teve forças para se deslocar com seu carro por mais ou menos 300 metros quando, já ensangüentada, pediu por socorro a moradores seus conhecidos.

Acionada a polícia, os bandidos tiveram informação privilegiada obtida de rádio sintonizado na frequência policial, que as viaturas se encontravam a caminho, o que ainda lhes deu tempo de levar vários pertences na fuga. O pai, marido da vítima, conseguindo se soltar, uma vez que se encontrava amarrado pelos bandidos e apoderando-se da única arma que restava, de propriedade de seu pai, pulou de uma altura de mais de 3 metros para tentar pegar os bandidos e inclusive efetuando sem sucesso alguns disparos, com a mente aturdida pela ainda presente imagem de sua esposa sendo baleada.

Enquanto a principal vitima, correndo sérios riscos de vida, estava sendo atendida, todos os tios, primos e amigos foram acionados e prontamente formaram uma corrente de oração, alguns no hospital e outros defronte à casa da família, assim até a madrugada, enquanto a pericia efetuava seu trabalho. Com toda a atenção e preocupação voltada para nossa querida prima Idalina, em vista de seu estado precário de saúde, seu marido se dirigiu, por solicitação dos policiais, até a delegacia para formular a queixa, quando ao raiar do dia nos chegou a informação de que as autoridades policiais haviam efetuado sua prisão.

Todos que ali estavam ficaram chocados, talvez ainda mais chocados do que o crime em si, que, sabemos, todos nós estamos sujeitos a sofrer. Ficamos abismados e a nos questionar que atitude se esperar de um chefe de família diante de tal situação enfrentada, em que a decisão tem de ser tomada em fração de segundos? Para os que não se acovardam, não se pode esperar nada diferente e aqui deixo meu registro de solidariedade e acredito que esteja falando não apenas em meu nome e sim da grande maioria dos cidadãos de bem: nosso primo fez o que deveria ser feito naquele momento!

Neste cenário surrealista, prendeu-se o "mocinho" em lugar do "bandido", pelo motivo de ter usado a arma que era de seu pai, já que a dele, também regularizada, fora levada pelos bandidos. Fica a dúvida: como alguém, no intuito de defender sua família, honra os bens - e ainda com a preocupação de sua esposa estar viva e sendo o principal esteio para conforto de seus filhos traumatizados e para a esposa em recuperação - não pode responder em liberdade por seus atos? Muitos videntes fizeram previsão de que o mundo irá acabar em 2012. Se acaba ou não eu não sei, mas que nós já chegamos no fim do mundo tenho certeza.

O autor, Marcos Wanderley Ferreira, é engenheiro

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