Tribuna do Leitor

Mensalão, mensaleiros e os sorrisos amarelos


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Joaquim, nosso Barbosa, ministro julgador virou celebridade num piscar de olhos. Todos acreditavam que ele votaria pela inocência dos mensaleiros. Já existia na mídia estoque considerável de malvadezas a seu respeito, prontas para serem publicadas (quem pagou o pato foi Lewandowski). Foram devidamente guardadas para outra oportunidade, pois ele incriminou a todos, sem dó e piedade. A ladainha em cima dele foi tão intensa, chegando ao cúmulo de afirmarem ser ele o exemplo vivo da não necessidade do sistema de cotas no país. O negro Barbosa sabe ser raríssima exceção nos diplomados dentro de sua raça e que sua situação não resolve as atávicas diferenças e contradições existentes.

Entrevistado pela imprensa, Barbosa, aproveitando a ocasião, sapecou das suas. Percebendo a felicidade estampada na face da maioria dos jornalistas presentes, reiterou o que havia sacramentado no tribunal, que todos pagariam pelo que fizeram. Disse mais e, aproveitando o solene momento, questiona a turba: "Percebi em todos o empenho pela punição dos mensaleiros. Quero também julgar outros mensalões, como o mineiro e o da privataria. Isso me interessa muito, queria todos aqui e com o mesmo empenho". Foi um sepulcral silêncio. Rostos murchos e nítidos sorrisos amarelos, quando não uma tentativa de mudança imediata de assunto. Saíram todos pela tangente e tudo acabou por ali mesmo, com o ministro nem tendo seu questionamento respondido.

A conclusão de minha lavra e responsabilidade é a de com a penalização de todos os desse atual mensalão, a imprensa não fará pressão nenhuma para colocar no mesmo balaio os demais mensaleiros, com igual ou até maior perniciosidade que esse. Tudo o que queriam já terá sido feito e a mera prescrição do prazo dos demais nem manchetes mereceriam nos órgãos de imprensa. É dessa forma que moralistas de plantão resolvem os casos de corrupção nesse país, julgando uns e desconsiderando outros. O ministro Barbosa deu a entender que irá contrariar isso tudo. Será o mínimo para magistrados a julgar com a devida isenção os casos mais escabrosos desse país.

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História

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