Bairros

Polícia Civil fiscaliza ?bocas de ouro? na área central

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil, juntamente com a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), realizou na manhã de ontem uma operação de prevenção e fiscalização em estabelecimentos que compram peças de ouro na região central de Bauru.

O objetivo da ação é atacar os locais onde podem desembocar produtos de crimes na cidade. As joias levadas no roubo que terminou com uma advogada baleada na semana passada seriam levadas para um desses pontos (leia mais abaixo).

A operação começou por volta das 9h da manhã e durou até 13h.  Além de policiais da Delegacia Seccional de Bauru e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a ação contou com três fiscais da Seplan. Ao todo, sete estabelecimentos foram verificados.

“É uma operação que foi planejada há cerca de duas semanas. Nosso objetivo foi fazer um trabalho preventivo nesses locais que compram ouro, relógio e até dólares. Em alguns crimes recentes de roubos e furtos de joias, descobrimos que a destinação dos produtos eram esses pontos clandestinos de comércio de ouro”, aponta o titular da DIG, Kleber Granja.

Nos sete locais vistoriados, nenhum produto ilícito foi localizado. “Isso mostra a velocidade que as peças entram e saem”, complementa o delegado. Porém, se não havia problemas criminais, o mesmo não pode ser dito da parte administrativa. Todos os estabelecimentos estavam irregulares.

Granja aponta que cinco dos comércios estavam sem alvará, entretanto, já com o processo de regularização em andamento. “Eles foram notificados e terão um prazo de 10 dias para se regularizarem”.

Já o outro até tinha licença para funcionar, porém, com a finalidade alterada. “O alvará era de venda de eletroeletrônicos. Com isso, foi dada ordem imediata para que o proprietário removesse faixas e toldos com a propaganda de ouro. Até a pintura foi removida”, aponta o titular da DIG. Além disso, o comerciante foi multado.

 

Lacrado

Só um dos estabelecimentos vistoriados ontem foi lacrado. A polícia explica que o proprietário do local havia sido notificado em maio da necessidade da regularização, o que ele não tinha realizado até a manhã de ontem.

“Ele foi notificado e tinha um prazo de 90 dias para se regularizar. Como isso não foi feito, a determinação foi de que ele encerrasse as atividades. Assim, o comércio foi lacrado”, destaca o delegado.

Kleber Granja ainda complementa que as ações visando o comércio clandestino de ouro continuarão em Bauru. De acordo com ele, trata-se de um organograma hierárquico da Polícia Civil em reação a esse setor.

 

Cadastro

Além de confirmar que as ações de fiscalização se tornarão rotina, a Polícia Civil afirma que adotará outros protocolos de segurança nos estabelecimentos que compram peças de ouro.

“O objetivo é cadastrar as vendas para conseguirmos fiscalizar melhor. Iremos usar um software também para fazer esse cadastro; Queremos deixar espaço para o bom comerciante. Quem quiser fazer algo ilegal terá que fazer na clandestinidade, o que fica mais fácil de serem pegos”, conclui o delegado Kleber Granja. 


Suspeito de assalto a advogada iria vender joias

Apesar de já estar planejada há algum tempo, a operação visando as “bocas de ouro” teve como estopim o assalto que terminou com a advogada Idalina Aparecida Lorusso Barbosa, 46 anos, baleada. Ao ser detido, um dos suspeitos do crime confessou que estava levando as joias para vendê-las em um estabelecimento no Centro da cidade.

O crime ocorreu há exatamente uma semana e chocou Bauru. Danilo Rodrigues dos Santos, 21 anos, foi preso e confessou a ação. Ele ainda teria identificado Solon Prieto Hadba, de 21 anos, e Alex Ferreira de Oliveira, de 23 anos. Ambos estão foragidos.

Já a vítima continua internada em um quarto na Beneficência Portuguesa. Familiares afirmam que ela sentiu muitas dores ontem, porém, não precisou voltar para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela segue com a bala alojada no corpo e sem previsão de alta.

“Antes do assalto à advogada, outro crime recente já tinha chamado nossa atenção. Na ocasião, uma falsa doméstica levou grande quantidade de joias de uma casa. Ela foi identificada e confessou que iria vender os objetos do furto qualificado em um desses estabelecimentos”, aponta o titular da DIG, Kleber Granja.

Os comerciantes que forem encontrados com joias roubadas podem ser presos em flagrante e responder por receptação. 

Comentários

Comentários