O Dia do Cerrado, comemorado oficialmente em todo o Brasil ontem, foi o mote para uma discussão com a sociedade sobre a importância da preservação deste bioma, cada vez mais prejudicado por ações humanas.
Em Bauru, o Instituto Ambiental Vidágua e a sociedade civil organizada participaram da manifestação “Dia do Cerrado”, ontem à tarde, na Praça Rui Barbosa. Após a manifestação, o grupo foi para a sede do Senac discutir a situação do cerrado no Brasil durante uma palestra.
Entre os temas abordados estavam as leis que tratam do bioma e o Código Florestal. Outro ponto em questão foi se a preservação inibiria o crescimento da cidade, e o biólogo Fábio Henrique Costa Vieira alertou que o cerrado é encontrado em apenas 1% de todo o território do Estado de São Paulo. “Hoje em dia há muita pressão agrícola e imobiliária que diminuem cada vez mais o bioma”, disse.
Para o geógrafo Antonio Cícero Oliveira, é motivo de comemoração o fato de Bauru ainda concentrar uma grande área com cerrado. “Temos muitas áreas com plantas frutíferas do cerrado, com potencial alimentar. É uma pena que essas plantas, como pequizeiro, baru e jatobá, não tenham tanta procura. Acredito que isso se deve à falta de conhecimento sobre o bioma”.
Estudos apontam que há cerca de 15 mil espécies de plantas no cerrado, das quais 44% são endêmicas (exclusivas do bioma), além de uma fauna riquíssima, com aproximadamente 300 mil espécies de animais.
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, 132 espécies do cerrado constam na lista das espécies ameaçadas de extinção. Entidades de diversos Estados continuarão a semana com encontros e conscientização sobre o bioma. Hoje começa o VII Encontro e Feira dos Povos do Cerrado em Brasília (DF), que segue até o dia 16 e conta com a participação dos representantes de Vidágua.