O revisor do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandoswski, votou nesta quarta-feira (12) pela condenação da dona do Banco Rural Kátia Rabello pelo crime de lavagem de dinheiro. Ele afirmou que o Rural disponibilizou a sua estrutura para que o empresário Marcos Valério destinasse recursos a terceiros.
O revisor ainda não concluiu seu voto e precisa analisar a conduta de outros sete réus dos chamados núcleos financeiro e publicitário da denúncia. Ele já votou pela absolvição da ex-diretora do Rural Ayanna Tenório e da ex-funcionária de Valério Geiza Dias dos crimes de lavagem. O revisor apontou que a cúpula do Banco Rural e o grupo de Valério montaram um esquema para lavar dinheiro.
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Na avaliação de Lewandowski, o banco permitiu uma sequência de transações suspeitas das agências de Valério, o que representava uma política institucional do banco. "A prova indica que ela [Kátia Rabello] mantinha estreito relacionamento com o acusado Marcos Valério. Kátia Rabello tinha, portanto, pleno conhecimento da origem espúria do dinheiro", disse.
Para o revisor, os dirigentes da instituição financeira e do núcleo publicitário tinham a intenção de ocultar os destinatários e a origem dos recursos. "O maior indicativo da ilicitude de tais operações é que o banco, em nenhuma ocasião, informou ao Banco Central o nome das pessoas que receberam os valores na boca do caixa", disse.
"Restou a intenção de ocultar os destinatários finais dos recursos em espécie. Se não fosse assim, em pleno século 21, por que não se valeram de transferências eletrônicas? Nos tempos atuais, revela-se que não existe nada mais seguro do que o emprego de operações bancárias eletrônicas. Os saques eram emitidos por pessoas jurídicas que serviram de intermediárias para os recursos que transitaram por suas contas."
O ministro chegou a citar 15 indícios de lavagem, entre eles: métodos inusitados para realização de operações financeiras; informações de última hora para movimentações financeiras; múltiplas, sucessivas e idênticas transações financeiras.
O revisor lançou mão de laudo do Banco Central que apontou que o Rural conhecia seus clientes e teria condições de identificar claramente que as pessoas autorizadas a sacar o dinheiro na agência. "Ainda que os dirigentes não soubessem da origem espúria do dinheiro das agências de Marcos Valério, esses não podiam ignorar que ao menos parte deles provinha dos empréstimos fraudulentos por eles aprovados."