Elas resistiram ao tempo. Remanescentes dos pioneiros de Bauru, duas casinhas geminadas da quadra 2 da rua Araújo Leite, que são tombadas pelo patrimônio público e são popularmente conhecidas como a “Casa dos Pioneiros”, contam um “pedacinho” dos primórdios da cidade. Bastante danificadas pela ação do tempo, agora as edificações estão prestes a se tornarem alvo de um projeto de restauração em trabalho conjunto entre a Prefeitura de Bauru e a Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC)/Unesp, do campus de Bauru.
Os imóveis do século passado, cujos numerais são 2-63 e 2-65, carregam um valor cultural de extrema importância para a história do município, pois são verdadeiros testemunhos do primeiro eixo urbano de Bauru. Assim que forem recuperadas, o intuito é, segundo o secretário municipal de Cultura, Elson Reis, fazer uma reconstituição do lugar. “Queremos fazer uma reconstituição de como as casas eram antigamente, e disponibilizar o local para visitação. Essa é a ideia”, afirma o secretário.
Convênio
Após a desapropriação jurídica, falta pouco para que o local passe por processo de restauração. Para isso, foi feito um termo aditivo no convênio já existente entre a Unesp e Prefeitura. “Uma equipe da FAAC, incluindo alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo, fará uma avaliação do que poderá ser aproveitado ou não. Este estudo será passado à Secretaria de Obras”, explica o secretário. “O objetivo é recuperar certos aspectos dos imóveis, mantendo a estrutura original”.
O vice-diretor da FAAC e professor de arquitetura, Nilson Ghirardello, diz que a Faculdade foi procurada pela Secretaria de Cultura do município para que pudesse viabilizar parceria. Nilson, inclusive, afirma que era presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac) na época do tombamento da Casa dos Pioneiros. “São imóveis que preservam a linguagem, o estilo do início da cidade de Bauru. Não é a primeira edificação, não é a mais relevante, mas foi o que sobrou”, enfatiza Ghirardello. Ele ressalta ainda a importância do restauro ser bem executado. “Precisa ser muito bem-feito para que não se faça um ‘pastiche’, ou seja, uma reconstrução achando que está preservando a história”, diz.
Dois anos para restaurar
Segundo o professor doutor de arquitetura da FAAC, Luiz Cláudio Bittencourt, o restauro da Casa dos Pioneiros prevê cronograma de dois anos e também bolsas de iniciação científica para estudantes que cursam Arquitetura na Unesp. Bittencourt sublinha que a intenção do projeto não é somente “congelar” o imóvel, mas de valorizá-lo e integrá-lo à sociedade.
Conforme explica, o trabalho de restauro é feito em etapas. “Primeiramente, se faz um diagnóstico através de um trabalho de prospecção da condição estrutural, de acabamento, funcionamento. O diagnóstico situa o imóvel do ponto de vista técnico”, aponta. Ainda dentro do projeto, serão elaboradas propostas de intervenção e de utilização.
Unesp aguarda formalização
A Casa dos Pioneiros, apesar de receberem numerações diferentes, ficam lado a lado e dividem o mesmo lote. Com risco de ruir, o lugar já perdeu o telhado e parte da fachada. Para evitar o desmoronamento, já foram providenciadas suportes com madeiramento. “Assim que formalizada a parceria, que está em trâmite no setor jurídico, a equipe da Unesp dará início às atividades. Mas antes essa formalização precisa ser liberada”, alegou o secretário de Cultura, Elson Reis.
As casas retratam a vida que se levava em Bauru há mais de 100 anos, antes do desenvolvimento da ferrovia na cidade. “São casas modestas, pois são anteriores à vinda da ferrovia. Lembram casas mineiras, pois os primeiros ocupantes que vieram para Bauru eram mineiros, então eles trouxeram para cá sua forma de construir”, indica Ghirardello.