Washington - A invasão do consulado norte-americano em Benghazi, na Líbia, que resultou na morte do embaixador dos EUA no país, foi “claramente um ataque complexo”, disse um alto funcionário em Washington, evitando no entanto especular sobre a identidade dos agressores.
Essa fonte disse que os EUA - inclusive o FBI, polícia federal norte-americana - vão colaborar com autoridades líbias na investigação do incidente, mas que é cedo para discutir quem foram os responsáveis ou quais seriam suas ligações fora da Líbia.
Outras fontes oficiais, no entanto, sugeriram que o ataque pode ter sido minuciosamente planejado, e que o protesto contra um filme anti-islâmico teria sido uma mera fachada para desviar as atenções. Segundo essas fontes, as suspeitas até agora recaem sobre o grupo Ansar al Sharia (Defensores da Lei Islâmica), mas a organização militante regional Al-Qaeda do Magreb Islâmico também pode ter envolvimento.
Embaixador
O embaixador dos EUA na Líbia, J. Christopher Stevens, foi um dos quatro mortos no ataque ao consulado americano em Benghazi, leste do país, por um bando armado na noite de anteontem.
Stevens visitava o consulado quando o grupo abriu fogo, em meio a uma manifestação contra um filme produzido nos EUA que ridiculariza o profeta Maomé, fundador do islã (leia abaixo).
Manifestações contra o filme se repetiram ontem no Marrocos, no Sudão, na Tunísia e na faixa de Gaza, despertando o temor de que uma onda de protestos se espalhe pelo mundo islâmico.
Horas antes do ataque em Benghazi, o mesmo filme provocara um protesto na embaixada americana no Cairo. Manifestantes escalaram o muro e rasgaram a bandeira americana, substituída por uma do islã, mas não houve violência.
Ataque vira arma de campanha
Washington - Com as pesquisas eleitorais dando ligeira vantagem a Barack Obama, o candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, evitou a solidariedade política que é praxe em momentos de instabilidade externa e fez da morte do embaixador Chris Stevens, na Líbia, arma de campanha.
“É uma vergonha a primeira reação do governo Obama não ter sido condenar os ataques, e sim mostrar empatia aos executores destes”, declarou logo cedo, aludindo também ao incidente anterior na embaixada no Egito.
Obama, que tentara estancar uma ferida cultural, revidaria com a caracterização do oponente como imaturo em política externa: “O governador Romney parece ter a tendência de atirar antes e perguntar depois. Como presidente, aprendi que não dá para fazer isso”.
De fato, Romney teve de esclarecer que a primeira afirmação se referia sobretudo à invasão da missão no Cairo. Mas sua mensagem central foi repetida em nova nota.
“Esses atentados mostram que o mundo continua perigoso e que a liderança americana é dolorosamente necessária”, afirmou, acusando o rival de “fugir da responsabilidade” e “hesitar” diante dos inimigos.
Embora a maior preocupação do eleitor americano seja a economia, o assassinato reaviva um debate apaziguado a favor de Obama.