São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem que os suspeitos que não reagiram à abordagem da Rota (grupo de elite da PM) na noite de anteontem estão vivos. No confronto com os policiais, em Várzea Paulista (295 km de Bauru), nove suspeitos morreram.
“Quem não reagiu está vivo. Você tem em um carro quatro (suspeitos): dois morreram e dois estão vivos. (Eles) se entregaram”, disse Alckmin ao “SPTV”, da TV Globo. Na manhã de ontem, os cinco suspeitos presos após a troca de tiros foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Jundiaí (287 km de Bauru).
A polícia chegou ao local do “julgamento” na tarde de anteontem após o setor de inteligência da Rota receber uma denúncia anônima. Segundo a polícia, entre os mortos estão oito criminosos que decidiam o destino de um suposto estuprador e o rapaz que era “julgado”.
A menina de 12 anos que sofrera o abuso, seus pais e seu irmão foram ouvidos na delegacia e afirmaram terem assistido ao “julgamento” e à “condenação” do suposto estuprador. O irmão da jovem havia pedido ajuda aos criminosos para punir o suspeito, segundo a PM.
O comandante da PM, Roberval França, afirmou em entrevista à GloboNews, que, com a chegada da polícia, sete criminosos tentaram fugir em dois carros. Eles foram perseguidos e houve confronto. Em um dos tiroteios, foram mortos dois suspeitos e um foi preso. Em outro ponto foram presos dois e mortos outros dois.
Já na chácara onde ocorria o “tribunal do crime” houve um outro confronto, que resultou na morte de outros quatro suspeitos. O corpo do suposto estuprador também foi encontrado baleado na residência. Nenhum dos 40 policiais que participaram da ação se feriu.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que apenas um dos suspeitos mortos no confronto não tinha passagem pela polícia.
O número de mortos na operação de anteontem é o maior em uma ação da polícia paulista desde junho de 2006, quando 13 suspeitos - também acusados de ligação com o PCC - foram mortos pela Polícia Civil em São Bernardo do Campo (Grande ABC). Na ocasião, a informação era que o grupo faria um ataque contra agentes penitenciários. O episódio ocorreu no auge dos atentados da facção criminosa a policiais e unidades de segurança pública.
Alerta em Campinas
As polícias Civil e Militar da região de Campinas entraram em estado de alerta ontem para possíveis ataques cometidos a mando do PCC, como resposta à operação da Rota. A PM determinou que as equipes não circulem sem colete à prova de balas, isolou a frente dos batalhões e companhias com cones e reforçou o trabalho de rua durante a noite.
Na Civil, o setor de inteligência determinou atenção redobrada com os monitoramentos em andamento de telefones de integrantes da facção e de criminosos para possíveis conversas sobre atentados.
Perguntas e respostas
A operação:
lHouve confronto? A PM diz que sim
lViaturas e PMs não foram atingidos? Não
lAs armas apreendidas foram usadas recentemente? Aparentemente sim, mas exames periciais vão confirmar a data dessa utilização
As mortes:
lOnde foram os tiros? A maioria, segundo policiais ouvidos pela reportagem, foi na região do peito
lComo as vítimas chegaram ao hospital? Todas mortas
Os Suspeitos:
lTêm passagens? A maioria sim
lPor quais crimes? Tráfico, roubo e homicídio
lO bando reunido na chácara planejava algum ataque ou crime? É quase certo que sim, mas qual ação ainda é investigada
Chegada da Rota:
lQuem avisou à Rota? A PM diz ter recebido denúncia anônima. Policiais dizem que a Rota recebeu informação de interceptações feitas pelo Ministério Público
lPor que a Rota? A PM diz que a Rota é o grupo mais preparado. A investigação sobre o PCC, que era da Polícia Civil, foi repassado à Rota pelo secretário Antonio Ferreira Pinto (Segurança) em 2009
lA polícia local não foi avisada? Não. Os policiais locais ficaram sabendo quando os mortos começaram a chegar ao hospital
O julgamento:
lQuem era o julgado? Fulano de tal
lEle foi absolvido? Sim
lQuem mais estava lá? A suposta vítima do estupro, a mãe e o irmão dela
lQuem matou o “réu”? A própria polícia, em suposto confronto
O que está será investigado pela Polícia Civil:
1) Houve de fato confronto?
2) Como a “vítima” do tribunal estava armada se estava sendo “julgada” e poderia morrer?