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?Não sinto ódio, só quero justiça?, diz filho da comerciante

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Familiares e amigos prestaram as últimas homenagens à comerciante Maria Cristina Carrara, em Lençóis Paulista

Lençóis Paulista - Comoção e revolta. Estas duas palavras resumem os sentimentos de familiares e amigos que prestavam ontem sua última homenagem a Maria Cristina Carrara, 42 anos, morta na tarde da última terça-feira após assalto a sua mercearia, no Jardim Açaí II, em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru).

Na ocasião, a proprietária, que estava nos fundos do estabelecimento vendendo pães a uma idosa, teria reagido ao ver o assaltante, que atirou contra a cabeça da vítima e fugiu levando R$ 150,00 do caixa.

No velório da comerciante que, segundo familiares, possuía a mercearia na cidade há cinco anos, o clima era de total comoção.

Em conversa com o JC, o filho mais velho da vítima, Victor Luis Pedro, 20 anos, conta que a mãe era uma pessoa tranquila, que se prevenia contra furtos e roubos.

De acordo com ele, ela retirava o dinheiro do caixa e depositava no banco sempre que a quantia superava um limite – não informado – estipulado pela proprietária e pelo seu companheiro, José Antônio de Souza Barros, 49 anos, que a auxiliava nas vendas.

“Ela gostava bastante da cidade. Sempre achamos que aqui fosse tranquilo e não teríamos problemas”, revela Victor. “Foi uma infelicidade e só nos resta deixar nas mãos de Deus”, completa o rapaz dizendo “não sinto ódio do assassino, apenas quero que seja feita justiça, que eles paguem pelo que fizeram”.

Emocionada com a situação, a tia da vítima, Maria Madalena Galdino, 59 anos, chorava pedindo justiça no caso. “Cada pessoa tem uma reação quando se assusta e a dela foi reagir colocando as mãos. Aonde vamos parar com tanta violência? Meu único desejo é que o culpado seja preso”, lamentava.

As imagens do circuito interno de segurança da mercearia gravaram a ação no estabelecimento, mas o acusado usava capacete no momento do crime, o que dificultou a identificação imediata pela Polícia Civil.

Ontem, com apoio de policiais civis da Delegacia Seccional de Polícia de Bauru, policiais civis de Lençóis Paulista realizaram diligências no município e cumpriram três mandados de busca em diferentes locais da cidade.

Até o fechamento desta edição, porém, ninguém havia sido detido. Uma das principais pistas que, segundo a polícia, devem ajudar a esclarecer a autoria do crime é uma moto que, de acordo com investigações, seria alugada pelo proprietário para a prática de delitos.

 

Em dois anos, dois assaltos

A pequena mercearia, localizada na rua Amauri Thadeu de Oliveira Ciccone, em um bairro residencial de Lençóis Paulista, era tocada pela família de Maria Cristina Carrara. A rotina se iniciava por volta das 7h, quando o companheiro da vítima abria o estabelecimento, que fechava as portas após as 20h.

Na tarde do crime, a vítima estava sozinha no local para que seu companheiro pudesse almoçar e efetuar serviços bancários. “Ela chegou lá por volta das 13h e eu sai para almoçar”, conta José Antônio ao JC. Se o episódio trágico não tivesse ocorrido, à noite, como de rotina, Maria e José teriam fechado a mercearia juntos.

O assalto de anteontem, que culminou com a morte da comerciante, foi o segundo registrado no local em menos de dois anos, segundo o filho da vítima. “Da outra vez, três homens entraram e fugiram levando o dinheiro do caixa, mas meu padrasto e meu irmão mais novo também estavam lá e ninguém se feriu”, conta Victor.

O corpo de Maria Cristina Carrara foi velado no Centro Velatório Municipal e sepultado às 17h no Cemitério municipal. Além do companheiro, José Antônio de Souza Barros, a vítima deixa os filhos Victor Luis Pedro, de 20 anos, e Gabriel de Souza Barros, de 14 anos.

 

Insegurança

O mototaxista Auro Vicente, 49 anos, ainda se lembra dos minutos de agonia que passou ao lado da idosa que fazia compras na mercearia antes da chegada da polícia ao local.

“Eu vi a senhora gritando por socorro, parei para ajudar e chamei a polícia. Infelizmente, o assassino já tinha fugido”, diz. “Não consigo nem trabalhar direito, estou horrorizado até agora com toda a barbárie”, completa, dizendo que costumava frequentar diariamente a mercearia.

Vizinha do local onde o latrocínio – roubo seguido de morte – ocorreu , a dona de casa Sandra Daniel, 43 anos, confessa que se sente insegura após o episódio.

“Fico com medo de sair para a rua e deixar meus filhos saírem tranquilamente com essa violência, afinal, isso aconteceu bem na porta da minha casa”, frisa.

A dona de casa não era a única a se sentir insegura com o crime bárbaro registrado em Lençóis Paulista. Outras quatro pessoas entrevistadas pelo JC na região central da cidade souberam do latrocínio e opinaram sobre a segurança na cidade.

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