Está em curso a disseminação do denominado consumo consciente. Isso está ligado a percepção de cada indivíduo dos impactados das decisões diárias de consumo. Devemos sempre nos perguntar: o que irei comprar? Como utilizarei o produto? Como serão descartados? Há reciclagem? Tenho recursos suficientes? Um novo produto se incorpora aos já existentes ou vem para substituí-lo?
É um olhar consciente sobre o consumo. A ideia central é que ações de consumo de bens e serviços agreguem valor às nossas vidas, e que sejam ao mesmo tempo oportunidades de melhora para a sociedade e para o meio ambiente.
Observem que por esta perspectiva há uma mudança nos referenciais enraizados na sociedade no que se refere a destinação dos recursos. É como se transformássemos o conhecido "cidadão consumidor" em "consumidor cidadão". Vejam que a mudança vai além da pura troca de posição das palavras. É o uso sustentável dos recursos, a medida que o dinheiro e também o crédito fazem parte do cotidiano das pessoas, ou seja, em casa, no trabalho, na escola, enfim, em todos os lugares.
Além destes aspectos somos sabedores das limitações naturais. A preocupação presente do uso da água é um dos tópicos prioritários. A geração de energia é outro tema recorrente. O uso e desperdício de alimentos também têm ensejado muita reflexão.
Cidadão que planeja seu futuro, que sabe qual o patrimônio necessário para satisfazer a si e a sociedade como um todo, caminha na linha aqui colocada. As escolhas de cada um de nós é que irá impactar para mais ou para menos consciência cidadã de consumo e acúmulo de riquezas. Neste mesmo diapasão está o uso do crédito. Sempre com critério, sem exageros, a medida que o crédito traduz-se em antecipação de consumo.
Se a meta é a busca do bem-estar, não há como separar o uso do dinheiro e crédito do tema sustentabilidade. O que adiantaria praticarmos o consumo pelo consumo se não entendermos as conseqüências desta prática?
Na avaliação destes aspectos nos remete a importante mudança comportamental: tendo consciência dos impactos de nossas decisões de consumo, façamos de cada uma de nossas escolhas cotidianas, um gesto de cidadania.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor do Corecon e articulista do JC