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Porta para o infinito

Luiz Gonzaga Bertelli
| Tempo de leitura: 2 min

No Dia Mundial da Alfabetização, que ocorreu dia 8 deste mês, recordamos o último Censo, de 2010, que mostra a existência de 13,9 milhões de jovens, adultos e idosos analfabetos no Brasil. O número é alto, se comparado às nações mais desenvolvidas que já resolveram o problema desde o século passado, com pesados investimentos no ensino. No Brasil, algumas tentativas como o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) e o Projeto Minerva, nos anos 70, foram colocadas em prática pelo governo federal, mas por erros estratégicos e de conteúdo os programas não trouxeram os resultados esperados e foram abandonados. Depois, na Nova Democracia, tentou-se resolver o problema na base, universalizando a entrada das crianças na escola. O resultado trouxe uma diminuição na porcentagem de analfabetos no País, mas ainda insuficiente para solucionar a questão. Houve ainda frutos positivos do projeto Comunidade Solidária, liderado pela antropóloga Ruth Cardoso, que levou a alfabetização a áreas longínquas do País.

A falta de instrução faz com que esses cidadãos não consigam exercer plenamente a sua cidadania. Sempre na dependência de alguém de confiança para ler uma carta, para assinar um documento ou mesmo para receber um pagamento no banco, eles terminam ocupando os subempregos, com baixa remuneração, muitas vezes sem carteira assinada e sem a garantia dos encargos sociais. Preocupado com esse elevado déficit de instrução, o CIEE criou em 1997, o programa de Alfabetização e Suplência Gratuita para Adultos, destinada a possibilitar que pessoas acima dos 15 anos concluam o ensino fundamental e médio, com certificação reconhecida pelo MEC.

Para assegurar condições para um aprendizado de qualidade, os alunos recebem, sem nenhum custo, kit com material escolar, uniforme, vale-transporte e lanche, num programa de assistência social que já beneficiou mais de 50 mil pessoas, trazendo a eles a melhora da auto-estima e a aptidão para se tornarem mais competitivos no mercado de trabalho. Quem lê pode se informar, evitar manipulação, buscar seus direitos com autonomia, votar com mais consciência - enfim, usufrui o pleno direito de cidadania. Pode descobrir um novo mundo, se dedicar a novas atividades culturais ou mesmo adquirir uma nova profissão. É uma porta que se abre para o infinito.

O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp

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