O diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Yukiya Amano, afirmou nesta segunda-feira (17) que não poder garantir que o programa nuclear iraniano não tenha objetivos militares.
Em discurso na abertura da conferência geral da agência vinculada à ONU (Organização das Nações Unidas), o chefe do órgão voltou a pedir mais cooperação e transparência de Teerã para solucionar as dúvidas da comunidade internacional.
"O Irã não está facilitando a cooperação necessária para dar garantias sobre a inexistência de material e atividades não declaradas. Portanto, não podemos concluir que todo o material nuclear no Irã é para atividades pacíficas", disse.
Amano lembrou que em novembro tinha informado que tinha informações confiáveis da existência de experimentos iranianos relacionados com o desenvolvimento de um artefato nuclear explosivo. Por isso, pediu a Teerã esclarecimentos sobre o assunto.
Ele reconheceu que o diálogo com Teerã ficou mais intenso, mas lamentou que não foi possível chegar a resultados concretos e se colocou à disposição para chegar a um acordo.
Reunião
As declarações de Amano vêm um dia antes da reunião do grupo 5+1 --formado por Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha-- com representantes da República Islâmica.
Nesta segunda, a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, anunciou que pedirá às autoridades iranianas que façam o necessário para garantir mais confiança sobre o programa nuclear.
Ela, que é a representante do Ocidente nas negociações, pedirá mais flexibilidade com os propósitos da comunidade internacional.
"A reunião será uma oportunidade para destacar mais uma vez a necessidade de que o Irã dê passos urgentes e significativos para criar um ambiente de confiança e para que mostre mais flexibilidade".
Em entrevista, a chanceler alemã, Angela Merkel, insistiu no diálogo para resolver as controvérsias do programa nuclear iraniano. No entanto, se mostrou decepcionada pela falta de resultados nas negociações.
A principal proposta das seis potências é a redução do enriquecimento de urânio de 20% para 5% em troca do alívio das sanções internacionais impostas pela suspeita da criação de uma bomba atômica por Teerã.
A República Islâmica nega o uso militar e afirmam precisar do elemento radioativo para fins médicos e de produção de energia.