Um clima de tensão e instabilidade continua a rondar a Fundação Casa de Bauru. Depois de três adolescentes tentarem fugir da unidade na última quinta-feira, internos se amotinaram no início da tarde de ontem e subiram no telhado dos alojamentos. Segundo a Polícia Militar (PM), o princípio de rebelião contou com a participação de 44 dos 59 reeducandos abrigados na instituição, que possuem entre 14 e 18 anos de idade.
Já a assessoria de imprensa da fundação confirmou que apenas sete adolescentes integraram o que denominou de “movimento de indisciplina”. Por volta das 13h45, todos estavam no pátio da unidade quando foram chamados a retomar as atividades de oficina.
Parte do grupo teria resistido à ordem e subido no telhado dos alojamentos, próximo ao muro de cerca de oito metros de altura que dá acesso à área externa. A assessoria nega que eles tenham tentado fugir.
Agentes do Grupo de Apoio da Fundação Casa foram acionados e contiveram os internos. Conhecido como “Choquinho”, o grupo especializado é uma espécie de tropa de choque, destacada para atuar em casos considerados extremos.
A unidade, no entanto, destaca que não houve confronto durante a ação e ninguém ficou ferido. Os reeducandos teriam desistido do motim e, depois de dominados, foram encaminhados de volta a seus alojamentos.
Por garantia, a PM, que já tinha sido chamada, permaneceria na entrada da instituição durante a tarde para coibir eventuais novas tentativas de rebelião. “Como a situação está instável desde a semana passada, uma viatura foi destacada para acompanhar a movimentação dos internos e funcionários, do lado de fora da unidade”, ressalta o sargento William Carlos Vieira, supervisor da 4ª Companhia de PM, responsável pela área onde a Fundação Casa está localizada, no Núcleo Geisel.
Ainda no período da tarde, funcionários que chegavam para trabalhar demonstravam apreensão diante do momento vivido pela fundação, dizendo temer pelas próprias vidas. Mas, por orientação da diretoria, nenhum deles quis conceder entrevista.
Não se sabe ao certo se a tentativa de fuga e o movimento de rebeldia registrados num intervalo de em apenas cinco pretendem externar alguma reivindicação por parte dos adolescentes. Questionada, a assessoria de imprensa minimizou o problema e disse que eventos como estes não configuram uma “condição de anormalidade dentro da instituição”.
Um boletim de ocorrência foi registrado e a Corregedoria Geral da fundação deveria instaurar uma sindicância interna para apurar o ocorrido. De acordo com a assessoria, a ação dos jovens seria submetida à análise da Comissão de Avaliação Disciplinar, que poderá aplicar sanções que vão desde a redução do horário de visita até a suspensão de saídas monitoradas a locais fora da unidade.
Tentativa de fuga
Na última quinta-feira, três adolescentes tentaram fugir do centro socioeducativo, mas foram contidos pela equipe de funcionários da instituição. Uma equipe do pelotão de escolta da PM estava no local para realizar apoio de rotina na transferência de alguns internos, quando se deparou com a tentativa de fuga. O helicóptero Águia foi acionado por não se saber, de início, a proporção do caso.
Um dos adolescentes foi detido por um funcionário da Fundação Casa e os outros dois haviam subido no telhado, mas se entregaram ao ver a ação da polícia. No dia seguinte, agentes do “Choquinho” realizaram vistoria nos alojamentos em busca de drogas e armas, mas nada foi encontrado.
Na ocasião, chegou-se a ventilar a notícia de os homens foram acionados porque funcionários teriam sido feitos reféns, mas a assessoria de imprensa rechaça a informação.