Por onde se passa, a reclamação é a mesma: boca seca, nariz “trancado” e calor insuportável, resultado dos 63 dias sem chuva em Bauru completados hoje. Entretanto, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp, o alívio tão esperado pela população pode chegar amanhã. A previsão para quarta-feira é de 80% de probabilidade de chuva, principalmente no período da tarde. Para hoje, a chance ainda é muito pequena.
De acordo com a meteorologista do IPMet Rita Cerqueira Lopes, uma frente fria passará pelo Estado de São Paulo, o que deve provocar as chuvas isoladas.
“Há grande chance de chover de quarta até sexta-feira, melhorando a umidade do ar, mesmo que nos outros dias o tempo na cidade fique nublado e chova nas cidades vizinhas”, observa. No último dia 5, a umidade relativa do ar em Bauru chegou ao recorde de 13,1%, e ontem caiu até 23%. O patamar considerado ideal é a partir de 60%.
Nesta segunda-feira, a temperatura mais alta na cidade foi registrada às 14h55, quando os termômetros indicaram 35,5 graus - a maior deste inverno, mesmo índice que havia sido registrado no último dia 9. Para hoje, a previsão é de temperatura mínima de 23 graus e máxima de 38, com céu parcialmente nublado.
Conforme já divulgado pelo JC, os 63 dias consecutivos sem chuva em Bauru ainda não compõem o maior período de estiagem já registrado pelo IPMet nos últimos anos. Em 1988 a população bauruense ficou 86 dias sem chuva.
Ao ser questionada sobre os locais onde as ondas de calor são mais fortes na cidade, a meteorologista Rita Lopes diz que a área central é o lugar onde se sente mais, já que há pouca área verde e um grande fluxo de carros, como no cruzamento das avenidas Rodrigues Alves e Nações Unidas.
Alguns pingos
Conforme divulgado pelo JC na semana passada com dados do IPMet, no último dia 11, entre 6h30 e 7h, chuvas passageiras chegaram a alguns pontos de municípios como Jaú, Botucatu, Ibitinga, Piratininga, Agudos, Bocaina, Lençóis Paulista, Pederneiras e São Manuel.
Em Bauru, a nebulosidade chegou por Piratininga e atingiu discretamente alguns bairros da região sudoeste da cidade. O volume foi tão pequeno que não houve acúmulo de água nas estações do IPMet para efeito de medição.
Dados históricos apontam que o inverno mais seco na cidade foi registrado em 2004, com índice de precipitação acumulada de 59,9 milímetros somando os meses de junho, julho e agosto.
Hora do refresco
Há dois anos, a funcionária do Zoológico Municipal de Bauru Ângela Maria de Carvalho Lopes, 45 anos, tornou-se tratadora oficial dos pinguins. Ela conta que, diariamente, passa em torno de duas horas com as seis aves que habitam o recinto.
O local mantém as temperaturas entre 15 e 17 graus, que nos dias de calor garantem o “refresco” necessário ao grupo. Na primeira etapa, que se inicia às 7h30, a rotina de Ângela vai desde descongelar as sardinhas que serão consumidas pelos pinguins, até limpar os vidros do recinto. “Quando saio daqui, sinto o choque de temperatura”, conta a funcionária.
Após tratá-los, ela continua seu trabalho na manutenção do zoo e, às 16h, retorna para alimentá-los e permanece no recinto por mais 30 minutos. Em dias de calor, como os atuais, seu local de trabalho torna-se um privilégio.
Ângela conta que, mesmo com o grande número de árvores no zoo, é difícil amenizar a sensação de calor. Por isso, é comum ouvir brincadeiras de outros funcionários sugerindo uma troca de funções. “É tão gostoso que dá vontade de ficar o dia todo lá dentro”, diz, sobre a ala dos pinguins.
Inverno bom para sorvete
Costumeiramente, nos meses de agosto e setembro o café e o chocolate quente entram em cena e o sorvete não é requisitado. Porém, com as altas temperaturas e o ar seco das últimas semanas, a lógica se inverte.
Proprietária de uma sorveteria na Vila Lemos há 11 anos, Tânia Martins Garcia, 50 anos, conta que o tempo atípico para o inverno está resultando em mais trabalho.
Segundo ela, os dias estão tão quentes que todos os dias a sorveteria tem grande movimento, esquentando as vendas e aumentando os lucros. “Abrimos a partir das 12h e fechamos às 23h. Há muitos anos não trabalhávamos assim no inverno”, diz.
A primavera, conhecida como a estação das flores, começará às 11h49 do dia 22 de setembro, segundo o IPMet.