A crise hospitalar voltou a ser pauta da sessão da Câmara Municipal de ontem. A última morte no Pronto-Socorro Central (PSC), na semana passada, municiou vereadores como Fabiano Mariano (PDT). No entanto, um boato de exclusão da prefeitura das discussões sobre a transferência da gestão do Hospital de Base (HB) foi o que mais motivou os discursos inflamados. À noite, soube-se que foi apenas uma informação errada.
Sem saber sobre o conteúdo do encontro realizado ontem (leia na página 3), Paulo Eduardo de Souza (PSB) criticou a postura do Estado. Renato Purini (PMDB) disse estar preocupado, inclusive com o risco de novos problemas serem identificados na gestão do hospital no futuro.
Segundo o líder governista, interesses políticos e econômicos explicariam a suposta retirada do município das discussões. “O que tem de tão bom em administrar hospital, doutor Paulo?”, ironizou.
Marcelo Borges (PSDB) voltou a defender a importância de que uma entidade “com raízes no município” assuma o HB. “A solução é aprovarmos a Fundação Regional de Saúde”, opinou.
Quebra de sigilo
Na tribuna, o vereador Roque Ferreira (PT) leu trechos de degravações de ligações telefônicas entre conselheiros da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que estão sob segredo de Justiça, no processo que investiga os desvios de recursos públicos. O petista alegou que detém imunidade parlamentar para isso. As tvs Câmara e Preve transmitiram a sessão.
No trecho lido por Roque, o então conselheiro da AHB Antonio Carlos Catarin diz: “Fácil. Não pode ser uma falcatrua fácil de pegar. Tem que ser uma coisa bem feita”. Em seguida, o já ex-conselheiro Célio Parisi afirma: “Tem que ser uma falcatrua bem feita e não mal feita”, com marcações de risos no início e no final da frase. Roque afirmou que o material exposto mostra a existência de uma quadrilha, que levou a entidade à crise e contribuiu para que as pessoas não tivessem atendimento.
Procurado pela reportagem, Parisi respondeu: “Sobre o que o vereador teria dito, tenho a salientar que, desde o início, o processo está sob segredo de justiça, especialmente as escutas telefônicas, cabendo às autoridades envolvidas, agora, por ter havido a quebra, a adoção de eventuais medidas. Assim sendo, não pretendo comentar as frases lidas pelo vereador, até porque eu incidiria na quebra desse sigilo e poderia sofrer sanções judiciais. Mas se ele, porém, houve por bem aderir e se servir dessa quebra, embora as degravações ainda estejam sendo discutidas sobre o seu conteúdo, poderia ele, para melhor esclarecer o seu eleitorado e contemplar a verdade, ter avaliado sobre a leitura de todo o conteúdo da escuta, para que as frases fossem analisadas pela população no contexto global da ligação telefônica. Frases avulsas, fora de um contexto, cada um interpreta como quer. É uma pena!”. O JC não conseguiu o contato de Catarin.