Pequim - A disputa pela posse das ilhas Diaoyu/Senkaku e o aniversário da invasão da Manchúria pelo Japão, em 18 de setembro de 1931, provocam protestos e violência em cidades da China. A nova onda de manifestações, tolerada pelo governo comunista chinês, levou milhares de pessoas às ruas.
O país lembrou ontem o aniversário da sangrenta ocupação japonesa, iniciada em 1931 e só terminada em 1945, com o final da Segunda Guerra.
Durante a manhã de ontem, mais de mil manifestantes se aproximaram da embaixada do Japão em Pequim, protegida por policiais e barreira metálicas de dois metros de altura.
Os manifestantes atiraram garrafas de plástico e ovos contra a missão diplomática. Outros pequenos distúrbios foram registrados pela cidade.
Cartazes, mostrados pelos manifestantes, diziam: “Japoneses fora das Diaoyu!”, “Boicote os produtos japoneses!”. Também foram exibidos fotos de Mao Tse-tung, fundador da República Popular da China, que morreu em 1976. Também aconteceram protestos em Xangai e Shenzhen, no Sul do país.
Anteontem, a embaixada japonesa em Pequim foi protegida por centenas de policiais, em resposta aos pedidos do primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, que exigiu da China a garantia da segurança de seus cidadãos e de seus interesses econômicos.
Arquipélago
O governo da China afirmou que tem o direito de adotar “novas medidas” de acordo com o desenvolvimento da situação no Mar da China Oriental, afirmou o ministro da Defesa, o general Liang Guanglie, em uma entrevista coletiva após uma reunião com o colega americano, Leon Panetta.
“Com certeza, continuamos esperando uma solução pacífica e negociada para o tema”, disse Liang.
O ministro atribuiu ao Japão a responsabilidade pelo aumento da tensão, ao afirmar que o arquipélago em disputa pertenceu a China durante séculos.
Onze navios chineses -10 de vigilância e um de controle da pesca- chegaram ontem às imediações de Diaoyu/Senkaku.
Produção japonesa
Os protestos da população chinesa contra o Japão estão afetando a produção de empresas japonesas em território do país vizinho. Ontem, as três principais montadoras de veículos -Toyota, Nissan e Honda- suspenderam parte de sua produção. As também japonesas de tecnologia Panasonic e Canon já haviam decidido suspender as operações em suas fábricas na China diante dos protestos antinipônicos provocados pela disputa do arquipélago.
A Toyota informou que paralisou parte de sua produção, a Nissan suspendeu o trabalho em duas das três fábricas na China e a Honda parou suas cinco unidades no país para garantir a segurança de seus funcionários.
A Toyota emprega quase 26 mil pessoas e fabrica cerca de 800 mil veículos por ano na China. Vende parte desta produção através de uma rede de 860 concessionárias no país.
Grandes redes comerciais fecharam suas centenas de portas por todo o pais, e cidadãos japoneses evitaram sair às ruas.