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Bancários entram no 2º dia de greve

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Em assembleia realizada no fim da tarde de ontem, os bancários decidiram pela continuidade da greve em todo o Brasil. De acordo com o sindicato que representa a categoria, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não apresentou nenhuma nova contraproposta às reivindicações. Ontem, o nível de adesão à greve em Bauru estava em 40%, o que, de acordo com o sindicato, deve aumentar hoje.

A paralisação começou na manhã de ontem com adesão relativamente baixa. Como ação inicial, 18 agências bancárias bauruenses pararam os serviços. Segundo balanço do sindicato, o número de adesão subiu para 25 no início da tarde, quantidade que foi mantida até o final do dia.

O número abrange 40% das 61 agências bancárias de Bauru, que representam 12 instituições financeiras. Ficarão paradas todas as agências do Banco do Brasil/Nossa Caixa e Caixa Econômica Federal (CEF).

Também paralisaram seus serviços as agências (inclusive particulares) da região central. Fora do Centro, além de BB/Nossa Caixa e CEF, a agência Santander da avenida Duque de Caxias também aderiu à greve. Na região, também houve paralisação (leia mais nas páginas 13 e 16).

Caixas eletrônicos funcionam normalmente - inclusive com funcionários para ajudar clientes - e os militantes prometem que não irão prejudicar o serviço. “A assembleia do fim da tarde de hoje (ontem) foi só para fazer um balanço e ver as formas que vamos nos organizar. Não houve qualquer deliberação da Fenaban. Então, vamos continuar a greve e aumentá-la”, aponta o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/Conlutas, Marcos Lenharo,

Ele afirma que a adesão no primeiro dia de greve foi acima da esperada e que, hoje, o número de agências paradas vai aumentar. “Já fomos procurados por muitos outros interessados. Iremos passar esclarecendo algumas dúvidas e a adesão à greve vai crescer”, projeta.

Os piquetes na tentativa de mobilizar novos trabalhadores também devem continuar.

 

Reivindicações

Os bancários reivindicam 23% de reajuste salarial, correspondente à reposição da inflação registrada nos últimos 12 meses (5,25%) mais a recuperação das perdas salariais comuns a todos os bancos (17,75%) desde o lançamento do Plano Real, em 1994.

Entre as reivindicações, também pedem distribuição linear da participação nos lucros e resultados (PLR), contratação de mais funcionários, mais segurança no trabalho, proteção contra demissões injustificadas, o fim da rotatividade e de metas abusivas e combate ao assédio moral.

Na semana passada, em assembleia realizada em Bauru, os bancários rejeitaram de forma unânime o reajuste de 6% proposto pela Fenaban. Na ocasião, aprovaram a deflagração da greve, que começou ontem, por tempo indeterminado.

“Além da adesão, o primeiro dia de greve foi muito bom porque não houve qualquer problema com os trabalhadores e com os clientes. A população entende que nossa luta é justa”, completa o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/Conlutas, Marcos Lenharo.

 

Para ‘driblar’ a paralisação

A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) orienta que, independentemente do fechamento das agências, as faturas e boletos bancários devem ser quitados se a empresa credora oferecer formas e locais para que os pagamentos sejam efetuados.

Para não ser cobrado eventuais encargos e, ainda, para que seu nome não seja enviado aos serviços de proteção ao crédito, o consumidor deve entrar em contato com a empresa e solicitar as opções de pagamento, seja por internet, na sede da empresa, em casas lotéricas ou por código de barras nos caixas eletrônicos.

O consumidor deve documentar esse pedido via e-mail ou anotar o número de protocolo de atendimento, para poder reclamar ao Procon-SP, caso o fornecedor não atender a tentativa de quitar o débito.

É importante que o consumidor não adquira pacote de serviços oferecidos por bancos voltados a facilitar a quitação dos débitos durante a greve sem conhecer. Dúvidas e reclamações podem ser reportadas ao Procon de Bauru na sede do Poupatempo. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3366-6050.

 

Primeiro dia do movimento gera dúvidas

Na manhã de ontem, as agências com portas abertas, porém em greve, trouxeram surpresa para alguns clientes. Funcionários e sindicalistas davam peso aos cartazes. Pouco movimento e muitas dúvidas marcaram o primeiro dia de paralisação dos bancários.

A aposentada Jaci Moreira, 70 anos, moradora do Parque City, mesmo sabendo da greve foi até a agência na expectativa de conseguir quitar uma conta e alterar o endereço de correspondência. Com dor nos joelhos por conta da artrose, ela conta que hoje fará uma cirurgia e por isso tem pressa na atualização dos dados. “Eles só pensam neles e não pensam na população”, reclama.

Ao conversar com um funcionário, ele disse que tiraria uma cópia do comprovante, mas que precisaria do documento do filho de Jaci, já que o nome da aposentada não consta como principal.

Para tentar driblar a greve, Jaci diz que iria tentar em outra agência, já que em casa lotérica não recebe. Se não conseguir, ela não sabe o que fará. “Provavelmente terei que esperar a greve passar para resolver”. 

Em outra fila, na mesma agência, o comerciante Maurício Villas, 48 anos, diz que está em negociação para a venda de um automóvel, mas sabe que precisará de paciência. O procedimento que se concluiria em poucas horas, se estenderá por três dias.

“Eu preciso transferir o valor total do automóvel, mas pelo caixa eletrônico não é possível porque ultrapassa o valor. Por isso terei que voltar na quarta e na quinta-feira para finalizar o pagamento”. 

Em outra agência, a cuidadora de idosos Marcia de Fátima Nascimento, 44 anos, conta que a greve foi anunciada e, por esta razão, não se sente prejudicada.  Ela foi sacar dinheiro, e conseguiu.

Com certa irritação, a vendedora autônoma Alenita Pereira dos Santos, 54 anos, conta que a greve a pegou de surpresa. Ontem, estava programado o recebimento do seu pagamento. Ao tentar sacar, a mensagem de indisponível apareceu. Ao questionar um funcionário, ele argumentou que a resposta só seria possível dentro da agência. “Com a greve, o que eu vou fazer? Como vou saber o que aconteceu? Eu acho toda esta paralisação uma falta de respeito”.

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