O candidato Clodoaldo Gazzetta (PV) afirmou ontem, em encontro realizado na sede da Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru e Região (Assenag), que vai acabar com os sorteios dos beneficiados pelo programa habitacional ‘Minha Casa Minha’, caso seja eleito. Segundo ele, o grau de vulnerabilidade vai definir as famílias contempladas com as casas e apartamentos dirigidos à população com renda de até três salários mínimos.
Com exceção dos empreendimentos já construídos com demanda dirigida, como foi o caso do Jardim Ivone e do Jardim Vitória, essa tem sido a política para a escolha das famílias. Ao todo, já foram viabilizadas 11 mil unidades habitacionais. Muitas delas, porém, ainda estão sendo construídas e sorteadas.
Gazzetta acredita que o sorteio é injusto, pois, entre as mais de 20 mil famílias inscritas no MCMV, algumas precisam mais do que outras. Para exemplificar, citou o caso de uma jovem, com bebê de cinco meses, a quem conheceu durante a campanha no Jardim Niceia. Segundo o verde, ela mora em uma casa de tábuas e lona. “Precisamos fazer com que ela esteja na frente da fila”.
O candidato afirma que a grande maioria das pessoas que sai dos sorteios sem conquistar a casa nova, se sente ainda mais derrotada. “Eles são desmotivadores”, conclui.
Clodoaldo detalha que indicadores de vulnerabilidade, que consideram fatores de saúde pública, serão os responsáveis para definir que terá prioridade na fila pela casa própria. “Vamos dividir as famílias por grupos e determinar que um precisa ser atendido primeiro. Depois, outro. Até que restem apenas aqueles em situação de igualdade. Depois disso, podemos partir para o sorteio”.
Perigoso
Apesar de admitir que os contemplados pelo Minha Casa seriam escolhidos pelo poder público, Clodoaldo Gazzetta nega a chance de que a política sofra gerenciamento político. “Não tem isso porque há um modelo fatorial para ser seguido”, garante.
Lotes e Distrito
Clodoaldo Gazzetta deixou claro que caso a Prefeitura de Bauru não inicie as obras de infraestrutura nos lotes urbanizados para viabilizar o Distrito Industrial 4 vai repensar a ocupação dos mais de 1 milhão de metros quadrados da área, localizada próxima ao Mary Dota.
Após sofrer críticas dos adversários, Rodrigo Agostinho (PMDB) enviou, no segundo semestre deste ano, projeto à Câmara alterando o zoneamento desses terrenos, idealizados como residenciais na gestão Antônio Izzo Filho.
Gazzetta, porém, ignorou o fato e diz que considera ocupar o local com unidades habitacionais. “Quero ter o direito de, caso eleito, repensar o que será feito nos lotes urbanizados. É claro que se o projeto já tiver sido iniciado, não vou interromper”, garante.
Por outro lado, o candidato não soube pontuar qual área de Bauru poderia receber um novo distrito industrial. Limitou-se apenas a dizer que pensa na região Norte da cidade e que seria inevitável gastar com a compra de terrenos.
Candidato verde derrapa no trânsito
Clodoaldo Gazzetta (PV) foi questionado sobre as soluções apontadas por seu programa para os gargalos do trânsito em Bauru. O candidato, porém, respondeu apenas que as alternativas serão apontadas pela futura Secretaria Municipal de Segurança Pública e Mobilidade Urbana.
“A partir dela, teremos condições de buscar recursos fora do município, pois essa é uma condição essencial para combatermos este problema. Para isso, precisamos de projetos técnicos. A secretaria vai pensar esses pontos de estrangulamento”.
Acontece que o próprio candidato admitiu que a criação da estrutura municipal pode durar até dois anos. No mais, o verde citou a importância de investir e rediscutir o transporte coletivo, a implantação de ciclovias – e não ciclofaixas -, além das discussões sobre o modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para o município, com vistas de implantação em prazos de 15 ou 20 anos.
Só limpeza
Dessa forma, Gazzetta defende que a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) deixe de gerenciar o trânsito da cidade e concentre suas ações na limpeza pública. Segundo o verde, o papel do órgão não será reduzido já que a destinação de resíduos é um grande desafio e merece toda a atenção do poder público.