O juiz eleitoral Marco Antono Martin Vargas concedeu nesta terça-feira (18) direito de resposta ao tucano José Serra, candidato a prefeito de São Paulo, no tempo de TV do petista Fernando Hadddad.
Serra terá 2 minutos e 26 segundos do tempo de propaganda de Haddad para rebater críticas do petista a respeito do caso envolvendo o caminhoneiro José Machado, que diz esperar há dois anos por uma cirurgia de catarata.
O caso do caminhoneiro, levado ao ar pela campanha de Haddad, foi contestado pela Secretaria Municipal de Saúde, que afirmou, em nota, que o "tratamento e o tempo de espera relatados" no horário eleitoral eram "notadamente inverídicos".
O PT acusou a prefeitura de violar o sigilo do paciente para expô-lo. Serra defendeu a prefeitura e disse que Machado não tinha catarata.
Pouco tempo depois, o jornal "O Estado de S. Paulo" publicou laudo médico que atesta que o caminhoneiro tem catarata e uma outra doença, um pterígio.
A prefeitura voltou a se manifestar. Em nota, disse que o atendimento de José Machado na rede municipal começou em janeiro deste ano, e não há dois anos, e que a cirurgia que o caminhoneiro necessita é "para correção de pterígio".
Na última sexta-feira, o programa eleitoral do petista reapresentou a história com as críticas aos questionamentos de Serra sobre o conteúdo do depoimento.
De acordo com o juiz, "o questionamento sobre a real doença do sr. José Machado não pode ser utilizado como um ataque às declarações deste cidadão, mas sim, e tão somente, para esclarecer a população sobre qual seria o motivo da espera na fila de cirurgia".
Ainda segundo Vargas, o direito de resposta é para que o candidato José Serra "explane sobre a diferença das doenças mencionadas, quais sejam, 'catarata' e 'pterígio', e sua afetação no sr. José Machado, bem como para que esclareça diretamente ao sr. José que não teve a intenção de humilhá-lo e desmoralizá-lo."
A propaganda já havia sido suspensa por decisão judicial na sexta-feira. De acordo com a decisão de hoje, a resposta deverá ser transmitida assim que a campanha de Serra entregá-la à emissora de TV que gera o programa eleitoral.
Em nota, a campanha de Haddad divulgou a decisão e disse que Serra acusou a campanha petista de montar uma "farsa" e mostrar uma "mentira" no programa, com base no suposto diagnóstico único de pterígio.