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Em Bauru, os trabalhadores dos Correios votaram pela greve a partir da meia-noite |
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) não chegou a um acordo quanto à campanha salarial com o Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Bauru e Região (Sindecteb) e rejeitou a proposta de conciliação feita pela Ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Cristina Peduzzi. Nesta situação, os trabalhadores dos Correios, reunidos em assembleia, aprovaram a proposta de greve e vão paralisar as atividades a partir das 0h, desta quinta-feira (20).
A categoria rejeitou as duas propostas feitas pela ECT, que ofereceu primeiramente 3% de aumento salarial e, numa segunda tentativa de negociação, 5,2%. A ECT não aceitou a proposta de conciliação, que estipulava os 5,2% de reposição da inflação nos salários, R$ 80,00 de aumento real no salário, R$ 8,84 de vale-alimentação mais manutenção dos benefícios, como o plano de assistência médica.
"Se a Empresa (ECT) aceitar a proposta da Ministra Cristina Peduzzi, nós retornaremos ao trabalho", aponta Luiz Alberto Bataiola, vice-presidente do Sindecteb. Os serviços paralisados são os de entrega, triagem e encaminhamento das correspondências. Uma nova assembleia está marcada para o dia 24 deste mês.
Em nível nacional
Os trabalhadores da ECT em 18 Estados e no Distrito Federal também estão em greve a partir desta quarta (19), por tempo indeterminado.
Em Brasília, os trabalhadores ficaram mobilizados desde o começo da manhã desta quarta, em manifestação em frente ao Ministério das Comunicações, onde aguardam reunião com representantes do governo.
O salário inicial de carteiros, atendentes comerciais e operadores de triagem e transbordo é R$ 942. Dos 35 sindicatos da categoria, dez ainda farão assembleias de hoje até o dia 25. Uma das maiores empresas empregadoras no regime de, Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), os Correios têm mais de 115 mil funcionários.
Aprovaram a paralisação os empregados dos Correios em Alagoas, no Amazonas, Ceará, Distrito Federal, em Goiás, Mato Grosso, na Paraíba, no Paraná, em Pernambuco, no Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e no Tocantins. Em Minas Gerais e no Pará, a categoria já havia iniciado a greve na semana passada.
O comando de negociação da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) reivindica 43,7% de reajuste, R$ 200 de aumento linear e piso salarial de R$ 2,5 mil. Mas quatro sindicatos dissidentes (São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e Bauru), que se desfiliaram da federação, pedem 5,2% de reposição, 5% de aumento real e reajuste linear de R$ 100.
A empresa sustenta que o índice de reajuste de 5,2% oferecido aos trabalhadores garante o poder de compra e repõe a inflação do período, diz a ECT em seu blog institucional. Os Correios informam ter um plano de contingência para manter a prestação de serviços à população.
Segundo a ECT, há um plano com medidas como a realocação de empregados das áreas administrativas, a contratação de trabalhadores temporários e a realização de horas extras e mutirões para triagem e entrega de cartas e encomendas nos fins de semana. Em nota, a assessoria da empresa diz que apenas os itens econômicos da pauta de reivindicações dos sindicatos, se atendidos, gerarão acréscimo até R$ 25 bilhões na folha, cuja previsão de receita é R$ 15 bilhões para 2012.