Islamabad - Na véspera do dia em que tradicionalmente há tensas manifestações no mundo islâmico, os EUA iniciaram uma ofensiva de mídia para se distanciar de um filme que satiriza o profeta Maomé.
Ontem, o Paquistão foi o local escolhido pelo governo americano para veicular os primeiros spots em TVs em que critica a produção amadora “Inocência dos Muçulmanos”.
Desde a semana passada o filme provoca protestos antiamericanos. Na sexta-feira passada, ocorreram em 19 países e deixaram sete mortos.
Os spots de 30 segundos em urdu, língua nacional paquistanesa, exibem trechos de discursos do presidente Barack Obama e da secretária de Estado, Hillary Clinton, condenando a produção.
As propagandas para a audiência do Paquistão, um aliado de Washington crucial mas reticente, custaram US$ 70 mil (R$ 140 mil).
“Para nos assegurar que íamos chegar ao maior número de paquistaneses possível, 90 milhões nesse caso, pensamos que essa era a melhor maneira de fazer”, disse Victoria Nulan, porta-voz do Departamento de Estado.
Mesmo assim, houve novos protestos ontem na capital paquistanesa Islamabad. Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas em confrontos com a polícia.
Os EUA, que já haviam retirado pessoal de países do Oriente Médio, decidiram fechar suas representações na Indonésia, país com maior população islâmica mundial.
ONU
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou ontem ser “escandaloso e vergonhoso” o vídeo que provocou protestos violentos.
Ele evocou o princípio da liberdade de expressão, mas alertou que o direito deve ser exercido sem ofender as crenças e os valores alheios. “Quando alguns usam essa liberdade de expressão para provocar ou humilhar outras pessoas em seus valores e crenças, então não pode ser protegida da mesma forma. Ela não pode ser usada de forma abusiva para um ato tão escandaloso e vergonhoso.”
Muçulmanos da Alemanha
Grupos de muçulmanos da Alemanha convocaram para o próximo final de semana uma série de manifestações contra o filme amador, produzido nos EUA,
Exército na rua
O governo do Paquistão pediu ajuda do Exército para controlar os protestos contra um vídeo anti-Islã. Ontem uma multidão enfrentou a polícia em frente à Embaixada dos EUA em Islamabad, e acredita-se que uma escalada de confrontos possa acontecer hoje, dia de oração para os muçulmanos.
De acordo com a BBC, policiais não estavam conseguindo controlar a multidão em Islamabad, com tiros sendo ouvidos por horas e várias bombas de gás sendo lançadas. Alguns dos cerca de mil manifestantes disseram que não deixaram o local até que a embaixada americana seja incendiada.
Corte dos EUA nega remoção de vídeo do YouTube
Los Angeles - A Justiça americana rejeitou um pedido para forçar o portal YouTube a remover um vídeo anti-islã.
A corte de Los Angeles não atendeu a uma requisição apresentada por Cindi Lee Garcia, uma atriz que aparece no vídeo, em parte porque o responsável pela produção não recebeu uma cópia da ação judicial.
Nakoula Basseley Nakoula, o homem por trás do filme “Inocência dos Muçulmanos”, está escondido desde que o “trailer” de uns poucos minutos da obra ganhou o mundo por meio da internet. A produção amadora, que caracteriza de forma insultuosa o profeta Maomé, foi considerada blasfema pela comunidade muçulmana. As embaixadas dos EUA em países do Oriente Médio e do norte da África logo se tornaram um alvo para manifestantes raivosos.