Bairros

Adutora rompe e atinge 13 regiões

Da Redação com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A tão esperada água “vinda do céu” chegou, mas em contrapartida torneiras espalhadas pelos bairros Terra Branca, Vila Independência, Vila Falcão, Jardim Ouro Verde, Jardim Aeroporto, Jardim América, Altos da Cidade, Centro, Vila Cardia, Santa Cândida, Vila Dutra, Vila Industrial e Jardim Bela Vista ficaram secas.

Segundo a comerciante Dulcirene Pereira de Andrade Florêncio, 39 anos, da Vila Falcão, o corte no abastecimento teve início às 9h da manhã da última quarta-feira. Para dar conta do fluxo das louças e dos clientes, apelou aos reservatórios do seu estabelecimento, que comportam 3 mil litros.

Ao entrar em contato com o Departamento de Água e Esgoto (DAE) foi informada que uma adutora havia se rompido e que não havia previsão de normalidade no abastecimento. Ela conta que agendou um caminhão-pipa para o local, mas este daria preferência ao abastecimento emergencial em hospitais, escolas, creches, postos de saúdes, entre outros.

Dulcirene conta que, no mesmo dia, à noite, seu marido retornou ao estabelecimento na expectativa de encontrar a “caixa cheia”. O silêncio nos canos e a torneira sem água continuavam. “Passamos a noite preocupados, já que hoje [quinta-feira] está acontecendo um evento com 300 pessoas aqui perto e íamos servir almoço para este pessoal, mas isso não será possível”.

Logo pela manhã, o casal foi até o local na esperança de ter água e conseguir trabalhar, mas como o panorama era o mesmo do dia anterior, o DAE foi acionado.

Um funcionário informou que o trabalho estava sendo feito, mas que não havia data de conclusão.  Novamente o casal solicitou o caminhão de pipa, mas acharam melhor manter as portas fechadas. “Eu liguei para vários locais para comprar a água, mas está precário até o abastecimento particular. Não posso ficar sem trabalhar”.

No início da manhã a mulher recebeu a ligação de um comerciante vizinho que perguntou se ela gostaria de comprar uma parte da água que ele havia pedido, já que sua caixa não comportaria o total.  Imediatamente ela aceitou e após pagar R$ 75 conseguiu mil litros.“Até pouco tempo as funcionárias estavam com braços cruzados, não havia o que fazer, com a chegada deste ‘alívio’, elas lavaram as panelas que ficaram de ontem para hoje”.


Prejuízo

Enquanto a equipe de reportagem conversava com Dulcirene, um caminhão do DAE chegou para abastecer a caixa d’agua.  Ao perguntar para o funcionário da quantidade de litros que receberia, este respondeu que não poderia dizer, mas que seria mínimo, já que precisaria suprir outros locais.

Atualmente a comerciante atende diariamente mais de 350 pessoas e calcula que teve um prejuízo de R$ 3 mil. “Nestes doze anos que estou com o restaurante, esta é a segunda vez que tenho que fechar as portas por falta d´agua”.

Ela acrescenta que ultimamente todo dia, das 10h às 22h, o abastecimento é cortado e levanta a hipótese que o grande fluxo de ar que percorre os canos antes da água é a razão do alto valor da conta d´água - sua conta ultrapassa o valor de R$ 800.

Para confirmar o que acreditavam, durante um tempo após o encerramento das atividades no local, o registro era fechado. Com esta atitude chegaram a economizar R$ 200 mensais. “Tivemos que abortar esta ideia por medo de ficar sem os reservatórios cheios”. 


Normalização na madrugada

 

 

A assessoria de imprensa do DAE alega que o corte no abastecimento aconteceu por volta das 20h do dia 19, quarta. Em nota, o departamento informou que técnicos do DAE constataram que a adutora de 24 polegadas, que traz água bruta do Rio Batalha para a Estação de Tratamento de Água (ETA), estava rompida. Em virtude do acontecimento, treze bairros, totalizando 39.389 habitantes, tiveram o abastecimento de água prejudicado. 

 

 

Segundo informações, o último reparo registrado na mesma adutora foi em 1995.

 

Em nota, a assessoria ressalta que os serviços para o reparo na adutora “encontram-se em andamento desde a noite de quarta-feira por uma equipe especializada e que o trabalho deveria perdurar até a tarde de ontem”. Conforme previsão do Serviço de Distribuição de Água do DAE, a normalização do abastecimento nos bairros citados deveria acontecer na madrugada desta sexta-feira.

 

 

Transtornos

 

Sobre o corte de água durante a semana que a moradora citou, o DAE informa que devido ao forte calor e alto consumo da população, o reservatório que abastece a região da Vila Falcão está com nível baixo. Em função disso, técnicos estão efetuando manobras nas redes com o fim de minimizar eventuais transtornos aos consumidores da região.

 

Em virtude destes acontecimentos, o DAE solicita economia de água aos consumidores desses bairros, ressaltando a importância das caixas d´água nos imóveis e que irão disponibilizar caminhão-pipa no caso de atendimentos emergenciais

 

  • Serviço

 

Acione o DAE

Telefone 0800 7710195

 

 

‘Lavar roupa, tomar banho...’

 

A aposentada Vera Lucia Gonçalves Rafacho, 64 anos, moradora nas proximidades da Vila Falcão, conta que sentiu falta do abastecimento em torno das 10h da manhã de quarta-feira e que até o momento que conversou com equipe do JC, não havia conseguido falar no DAE. Para ela, suas atividades diárias já foram prejudicadas e o atendimento está precário. “Moro com meu marido e minha neta, nós estamos economizando por medo de acabar até da caixa, mas tenho que lavar roupa, tomar banho e fazer comida. Não sei o que faremos se a falta continuar”. 

 

 

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