Alguns motoristas do transporte coletivo de Bauru estão, há alguns dias, promovendo panfletagem junto à população para avisar que, a partir de segunda-feira, novas paralisações podem acontecer. Representantes da comissão responsável pelo movimento, que atua paralelamente ao sindicato da categoria, confirmam que a circulação dos ônibus na semana que vem depende do resultado de reunião junto à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), marcada para hoje.
Esta sexta-feira foi o prazo estabelecido pelos motoristas para que uma proposta do poder público e das empresas concessionárias fosse apresentada em relação às reivindicações acerca da jornada de trabalho da categoria. No entanto, o presidente Nico Mondelli adiantou que, no encontro de hoje, deve apenas avisar sobre a audiência agendada para o dia 28 de outubro, que vai reunir todas as partes junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Justiça do Trabalho.
Vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Coletivo (Sindtran), Valter Dutra Pereira rompeu com a presidência da entidade e participa da comissão que organizou a paralisação da última sexta-feira. Ele diz que a revolta dos condutores é muito grande e que, dependendo do que for dito na reunião de hoje, haverá paralisações mesmo com a audiência judicial já marcada. “Não sei se será possível segurar a categoria. Os motoristas das três empresas estão mobilizados”, conta.
A reivindicação é por jornada de trabalho de seis horas. Atualmente, ela é de sete horas e vinte minutos. No entanto, desde o dia 2 de agosto, por conta de decisão judicial transitada em julgado, os trabalhadores são obrigados a fazer uma hora de intervalo. Por conta disso, perderam cerca de R$ 450,00 por mês que recebiam por horas extras e por supressão de horário de almoço.
A direção do Sindtran, antes da mobilização da semana passada, vinha negociando a criação de três turnos para os motoristas. Dois deles de seis horas e um de sete horas e vinte minutos, com uma hora de intervalo e mais duas horas extras para aqueles que necessitam de adicionais em seus vencimentos.
A Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) já avisou que, para isso, seriam necessários 180 novos motoristas, o que implicaria em aumento de custos. A assessoria de imprensa do órgão não quis comentar a possibilidade de novas paralisações.
Desculpas
De acordo com Valter Dutra Pinheiro, o panfleto distribuído pelos motoristas também pede desculpas pela paralisação – sem aviso – do transporte coletivo durante duas horas na sexta-feira passada, bem como explica a reivindicação da categoria.
Os condutores de circulares também reivindicam local adequado para suas refeições e a presença de cobradores nos veículos.
Legitimidade em xeque
Valter Dutra Pinheiro defende a legitimidade do movimento, conduzido por uma comissão de trabalhadores, alegando que a direção do Sindtran se voltou contra a própria categoria. Segundo ele, houve, inclusive, ameaça aos adeptos ao movimento, o que teria causado ainda mais revolta.
A assessoria de imprensa da entidade, porém, volta a dizer que a comissão não tem poderes para firmar qualquer tipo de acordo e garante que trabalhadores foram coagidos a aderir à paralisação. Na semana passada, o Sindtran acusou também o vereador Roque Ferreira (PT) e o candidato Cláudio da Construção (PT) de uso político em torno da causa.
No entanto, a entidade diz ser solidária às reivindicações dos trabalhadores e nega qualquer tipo de retaliação aos adeptos do movimento.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT), entidade a qual são ligadas a diretoria do sindicato e a comissão responsável pela paralisação, divulgou nota, anteontem, apoiando a luta dos condutores do transporte público.