Islamabad - A morte de 15 pessoas no Paquistão fez do dia de ontem o mais sangrento desde o início de protestos no mundo muçulmano contra um vídeo contrário ao islã. A sexta-feira, dia de rezas para os islâmicos, costuma concentrar manifestações políticas. Desde a semana passada, o alvo é o filme “Inocência dos Muçulmanos”, que satiriza o profeta Maomé.
No Paquistão, o governo declarou anteontem como feriado para “o amor pelo profeta”, para encorajar atos pacíficos. Além das mortes, o país teve 160 feridos.
Em Peshawar, a polícia atirou contra a multidão que tentava incendiar um cinema.
Manifestantes munidos de pedras também entraram em conflito com autoridades nas cidades de Lahore, Karachi, a maior do país, e na capital, Islamabad.
As autoridades bloquearam serviços de celular em 15 grandes centros urbanos, para evitar o acionamento remoto de bombas.
Mundo
Cerca de 10 mil muçulmanos também se reuniram em Dacca, na capital de Bangladesh, após as orações. Eles queimaram bandeiras dos EUA e da França - esta última, pela publicação de charges de Maomé no semanário humorístico parisiense “Charlie Hebdo”.
A embaixada francesa ainda foi alvo de um protesto pacífico em Teerã, com cem pessoas, aproximadamente, e que durou duas horas.
Seguidores de grupos xiitas ainda tomaram as ruas de Basra, no Iraque, carregando bandeiras do país e pôsteres do supremo líder iraniano, o aiatolá Khamenei. Os atos foram contra os EUA, França e Israel.
No Egito, as autoridades religiosas clamaram por demonstrações não violentas. O governo tunisiano, islâmico, seguindo o exemplo da França, decidiu proibir qualquer tipo de manifestação.
Nigéria, Uganda e a região indiana da Cachemira também foram palco de atos.
Proibição do véu na França
A líder de extrema-direita Marine Le Pen pediu a proibição do véu muçulmano e da quipá judaica em todos os espaços públicos da França, inclusive as ruas.
Em entrevista ao jornal “Le Monde”, a presidente do partido Frente Nacional defendeu o fim do uso dos artigos religiosos em “lojas, nos meios de transporte, nas ruas”.
Também disse que é “evidente que se o véu for suprimido, a quipá também deve ser retirada dos espaços públicos”.
No ano passado, a França proibiu as vestimentas religiosas que cubram os rostos das mulheres, como a burca.
Cerca de 600 protestam em São Paulo contra vídeo
São Paulo - Sob chuva fina, a comunidade islâmica em São Paulo protestou ontem contra o filme norte-americano “Inocência dos Muçulmanos”. Segundo cálculo da Polícia Militar, o evento reuniu cerca de 600 pessoas.
Com um carro de som à frente, o grupo se concentrou na mesquita do Brás, ganhando, depois, as ruas Oriente e Maria Marcolino. O trajeto foi percorrido em cerca de meia hora. Ao longo da passeata, os manifestantes carregavam diversas placas e gritavam palavras de ordem em árabe, em uníssono. Crianças levavam bandeiras do Brasil.
Ao microfone, os discursos se alternaram entre o árabe em português: “O islã vem da paz, somos contra o terrorismo”. Em uma das faixas em português, lia-se: “Será que ofender um profeta e um bilhão e 600 milhões de pessoas é liberdade de expressão?”.
Após a passeata, durante a reunião dos manifestantes na praça Padre Bento, autoridades religiosas discursaram para os homens, mulheres e crianças presentes.