Os motoristas do transporte coletivo aceitaram, ontem, aguardar a audiência judicial marcada para o dia 28 de setembro, que vai discutir a reivindicação da redução de jornada de trabalho da categoria, antes de mobilizarem novas paralisações. O primeiro ato ocorreu na sexta-feira passada, mas os condutores, durante a semana, ameaçavam interrupções no serviço a partir da semana que vem.
A decisão foi tomada após reunião entre os motoristas, realizada na tarde de ontem, com a participação do presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Nico Mondelli Jr., e do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Aproximadamente 25 condutores estiveram presentes.
O encontro de ontem fora agendado na semana passada, na ocasião da paralisação. Segundo Nico, serviu para que a Emdurb reforçasse a importância do transporte coletivo e da classe trabalhadora, solicitando a compreensão e a paciência para a audiência de sexta que vem. “Falamos também sobre a nova modelagem do transporte público, para a qual devemos soltar o edital na semana que vem”.
Na audiência, irão se reunir, representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindtran), membros da comissão de motoristas responsável pela mobilização paralela, poder público, Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb), Justiça do Trabalho e Ministério Público do Trabalho (MPT).
A mobilização dos motoristas é independente do Sindtran, que está rachado e não apoia o movimento. Este foi, inclusive, um dos itens tratados na reunião. “Deixamos claro que as negociações só poderão ser feitas com os representantes legais da categoria”, frisou Mondelli.
Rodrigo Agostinho lembrou que os atos dos motoristas podem ser considerados ilegais, mas que, diante da ameaça de paralisação dos serviços, é fundamental que o poder público abra diálogo com a categoria.
Na pauta
A reivindicação é por jornada de trabalho de seis horas. Atualmente, ela é de sete horas e vinte minutos. No entanto, desde o dia 2 de agosto, por conta de decisão judicial transitada em julgado, os trabalhadores são obrigados a fazer uma hora de intervalo. Por conta disso, perderam cerca de R$ 450,00 por mês que recebiam por horas extras e por supressão de horário de almoço.
A direção do Sindtran, antes da mobilização da semana passada, vinha negociando a criação de três turnos para os motoristas. Dois deles de seis horas e um de sete horas e vinte minutos, com uma hora de intervalo e mais duas horas extras para aqueles que necessitam de adicionais em seus vencimentos.
A Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) já avisou que, para isso, seriam necessários 180 novos motoristas, o que implicaria em aumento de custos. A assessoria de imprensa do órgão não quis comentar a possibilidade de novas paralisações.