O Bosque da Comunidade encanta. Neste setembro completo trinta e dois anos ininterruptos de caminhadas matinais, durante os primeiros vinte e três anos no nosso Bosque da Comunidade desde a data de sua inauguração em vinte e um de setembro de 1980. Esse honroso e triunfante jubileu na minha vida de caminhante que já deu umas tantas voltas completas neste conturbado planeta serve de bom pretexto para testemunhar a gratidão histórica que todos nós bauruenses devemos devotar a alguns personagens, uns conhecidos e outros anônimos, que viabilizaram a implantação esse delicioso recanto de nossa cidade.
A área do Bosque é somatória de vários espaços integrados como bem público de uso comum do povo por alguns loteamentos que foram sendo implantados a partir da década de 1940 e com uma outra parte desapropriada para completar seu grande retângulo. Deve-se, ao que se tem notícia aos Prefeitos Nuno de Assis e Alcides Franciscato a postura de resistência que evitou o seccionamento do território do Bosque que interrompia ? e até hoje interrompe - duas vias públicas que nascem na Avenida Getúlio Vargas. Credita-se à escrupulosa diligência do Registrário José de Souza a revelação de obstáculo jurídico que impedia que a maior parte daquele território enquanto bem público de uso comum do povo fosse permutado com empresa estadual para implantação de seu almoxarifado. E carrega-se ao bom senso e espírito de legalidade do advogado Cristovão Carneiro da Cunha, então Secretário dos Negócios Jurídicos e à sensibilidade do Prefeito Edmundo Coube a adoção de providências administrativas que abortaram, definitivamente, a infeliz permuta que estava sendo programada.
Ao Prefeito Oswaldo Sbeghen se carrega a definição final da área, a implantação do alambrado, do reservatório, da locomotiva símbolo do nosso diferenciado entroncamento ferroviário, o transporte desde a região de Tatuí/Itu quando da construção da Rodovia Castelo Branco de maravilhosos arenitos gigantes que até hoje são marcantes adornos paisagísticos ali existentes. E também a ele se deve tanto a velha pista de paralelepípedos como a convocação do engenheiro Roberto Graziadei que com muito carinho orientou a arborização da área. Não sei ao certo e, portanto silencio para não ser injusto, a quem se deve atribuir a responsabilidade pelo parque infantil, pelos bebedouros e sanitários, mas bem me lembro do engenheiro Joaquim Figueiredo, então Secretário de Obras do Prefeito Tidei de Lima, que capitulou diante de minha insistência quase diária enquanto assessor informal daquele Prefeito para implantar a iluminação com pequenos postes em toda a extensão da pista de caminhada.
Não se pode deixar de lembrar, por fim, a valiosa e definitiva contribuição de nossos Vereadores na legislatura responsável pela promulgação da Lei Orgânica do Município de Bauru (1988/1991) que retribuindo minha modesta contribuição aos trabalhos constituintes municipais acolheram postulação para garantir que também o Bosque da Comunidade constituísse patrimônio ecológico da cidade de Bauru, insuscetível de outra destinação (Lei Orgânica do Município de Bauru, art. 146, inciso IV), eternamente garantida e confirmada sua preservação.
É bom - e é muito justo - que os freqüentadores do nosso Bosque da Comunidade tenham conhecimento dessa história, infelizmente fragmentada e da generosa participação daqueles personagens conhecidos e de tantos outros que permanecem no anonimato, responsáveis que foram por empreendimento urbano que tanto encanta a todos nós. Afinal ? e creio ser desejo comum de todos nós humanos - as coisas que nos encantam merecem ter lembrados e cultuados os seus responsáveis.
O autor, José Fernando da Silva Lopes, é advogado.