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?Pai? do radar Hydrix visita IPMet

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O engenheiro e especialista em radares Richard Ney, 71 anos, não é apenas alguém que lida com este instrumento de aferição do tempo. Ele pode ser considerado o ‘pai’ do radar Hydrix, aparelho que projeta até hoje na França com outro pesquisador, além de ter participado do desenvolvimento de um instrumento para procurar indícios de vida em Marte.

Na última semana ele visitou o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, onde ministrou palestra.

O vínculo da França com o IPMet de Bauru aconteceu em 1972, na fundação do instituto. O pesquisador Jaques Testud, hoje proprietário da empresa francesa Novimet, fabricante do Hydrix, foi escolhido para fazer uma avaliação do IPMet e veio ao Brasil.

Nesta época Richard, engenheiro e também pesquisador, já participava de estudos de criação de radares com Testud e juntos “deram vida” ao Hydrix. Desde então, mesmo após a criação da empresa, os laços continuaram, o que trouxe o francês a Bauru.

Richard ministrou palestra sobre os diferentes aspectos do Hydrix com alguns resultados durante eventos chuvosos muito fortes.

“Ele tem uma eficiência grande em zonas montanhosas por sua antena diferenciada. Em determinada cidade, ele faz medições 24 horas e emite alarmes para catástrofes. Mede a taxa de precipitação com precisão. O modelo chuva-vazão permite dizer se essas precipitações podem ser a razão de uma enchente, por exemplo”, explicou Richard.

 

No Brasil

O ex-diretor do IPMet, Maurício Agostinho Antônio, que também é engenheiro civil especialista em radares, explica que este tipo de radar de frequência “x” é extremamente eficiente em áreas menores. “Eles possuem uma frequência maior com um comprimento de onda menor. São menores, mais baratos, mais leves, porém, mais precisos em áreas menores, de região montanhosa, por exemplo”, disse.

Quando questionados sobre a chegada deste produto no Brasil e sua importância, em casos de grandes catástrofes, a resposta foi positiva. “Seria muito importante em áreas menores. Para o IPMet, a viabilidade é um radar maior, como o que já temos, porque a nossa abrangência é de diversas cidades”, acrescentou Roberto Vicente Calheiros, ex-diretor do IPMet e engenheiro elétrico especialista em radares.

Calheiros também opina sobre a lei francesa de incentivo que fez com que o simples estudo de Testud e Ney se tornasse uma empresa com tecnologia criada no próprio país.

“Aqui não temos uma lei como esta. Espero que isso aconteça nos próximos anos para incentivar os nossos pesquisadores”, diz.

 

Vida em Marte

Antes de se aposentar, em 2008, Richard Ney participou durante mais de uma década em uma missão do governo francês, que criou um projeto para tentar descobrir se já existiu vida em Marte.

“Por problemas financeiros, o projeto parou mas o radar de penetração de subsolo, com uma penetração de até 2 mil metros foi finalizado. Apesar de ter sido abandonada na época, a missão agora foi retomada”, disse Richard. O pesquisador morou durante seis anos no Brasil, mas cursou engenharia e construiu carreira na França. 

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