Bairros

Mulher faz BO por vaga na UTI para mãe

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Mais uma vez, a falta de vagas surge como um fantasma para quem precisa dos serviços da saúde pública em Bauru. Na noite de ontem, uma mulher de 50 anos registrou um boletim de ocorrência (BO) por uma vaga de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a mãe, idosa e com pneumonia, que aguarda há 5 dias.

Adazilda Lovatto de Camargo, 76 anos, foi internada no Pronto-Socorro Central (PSC) no último dia 19. “Ela teve um quadro grave de pneumonia generalizada, tanto que está precisando da ajuda de um respirador”, explica a filha da paciente, Laura Camargo.

A idosa foi colocada provisoriamente em uma Unidade de Paciente Grave (local onde ficam pacientes que necessitam de maiores cuidados). Porém, o que era para ser provisório continua até agora. “Fizemos quatro pedidos de vaga em uma UTI. Até agora, não conseguimos nada. Por isso, resolvi registrar o BO”, conta.

A assessoria de comunicação da prefeitura afirma que o PSC não tem UTI e que um leito foi pedido à Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) no mesmo dia em que a idosa deu entrada na instituição.

A Secretaria de Estado da Saúde confirma o pedido, porém, argumenta, também pela assessoria, que “a paciente vem recebendo assistência médica e se encontra entubada, sedada e com uso de respirador, em condições similares a uma assistência intensiva”.

A família discorda. Assustada com os recentes casos de pessoas que perderam a vida esperando uma vaga (leia mais abaixo), a filha de Adazilda teme pelo pior. “Eu tenho medo de vê-la morrer nessa situação”.

Para Laura Camargo, a Unidade de Paciente Grave não supre as necessidades da mãe. Ela afirma que nem mesmo o respirador mecânico utilizado é o ideal. “Este é um respirador de emergência. Aquele de transporte. Falaram para mim que, com o outro respirador, ela se recuperaria mais rápido”.


5 dias

A Cross informou que a solicitação para um leito de UTI à paciente Adazilda Lovato está em processo de regulação, seguindo os critérios de urgência e gravidade pré-estabelecidos. A família questiona exatamente estar demorando cinco dias esse processo de regulação.

“Ela tinha que estar em uma UTI. Nesse local que ela está não é o adequado. Para se ter uma ideia, o homem que teve parte do corpo queimado no fim de semana ficou aqui também. Queria uma inspeção para ver se isso está certo”, questiona a filha da paciente.

A Secretaria de Estado da Saúde rebate dizendo que o estado da idosa é estável e que ela vem sendo monitorada. “Vale ressaltar que, dentro do processo regulação de vaga, a Cross mantém monitoramento do quadro clínico da paciente, por meio de uma equipe médica treinada e capacitada, que passam instruções à unidade quando a adoção de medidas que visam a melhora”, declarou, em nota.

Nos últimos dois meses, três pessoas morreram em Bauru enquanto aguardavam uma vaga em UTI ou em unidade especializada -  caso do lavrador Aparecido Nelson Pinto, 43 anos. Ele esperava vaga em leito coronariano, mas morreu de infarto na UPA do Mary Dota. A estudante universitária Drielly Carla Alves de Brito, 22 anos, aguardou por três dias no PSC, após dar entrada em 26 de julho.

Quando ela foi colocada na maca para fazer a transferência, morreu. Já o aposentado Antonio Toledo, 76 anos, deu entrada no PSC na madrugada de 19 de julho com problemas respiratórios. No mesmo dia, a vaga para internação teria sido solicitada, mas ele faleceu antes. 

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