Tribuna do Leitor

Solidary Rock


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É interessante, e certamente merece reflexão, o movimento que músicos amantes do rock iniciaram a fim de produzir solidariedade em meio aos sons de guitarras estridentes. Muito embora no mundo ocidental o rock?n?roll tenha sido um dos precursores do que se convencionou chamar de contracultura, não é novidade que em seu bojo foram edificadas práticas de contestação da ordem que mais tarde acabaram por forjar uma seita de jovens e adultos que, em regra, não se importavam com algumas bandeiras típicas da geração dita "antenada", ao menos no ponto de vista político. Talvez por isso essa contracultura tenha servido muito mais para manter a ordem do que propriamente para contestá-la de forma propositiva.

Não foi à toa que roqueiro passou a ostentar, com o passar do tempo, o rótulo de "porra louca", de alienado. Mas como tudo muda, e nas últimas décadas as mudanças talvez tenham sido as mais significativas que as sociedades tenham experimentado, também o cenário da participação política "latu sensu" sofreu profundas alterações. Partidos de esquerda apregoando políticas públicas conservadoras; programas de governo incapazes de ir além da insólita e vulgar forma de fazer política como se estivéssemos séculos atrás.

Tudo isso demonstra a falência do estado de representação coletiva que se depara o mundo moderno e certamente não traz, aos cidadãos, alento algum. E é exatamente naquilo que é mais caro ao ser humano, coletivamente falando, que esse pessoal têm demonstrado sensibilidade. Ao fazer rock?n?roll centrado na solidariedade, no movimento fraterno de angariar recursos para distribuir a quem precisa, esse movimento parece emprestar alguma luz nesse imenso e fundo túnel chamado capitalismo moderno e sua chaga alienante.

É claro que se espera, das forças vivas da sociedade, muito mais capacidades político-cognitivas para se compreender a babel que esse sistema transformou o mundo. Mas no plano espiritual, a se considerar a era do despertar, práticas como essa merecem análise mais acurada, partindo da premissa de estarem num caminho certo de edificação de valores tão caros aos nossos jovens, agora um pouco mais sensíveis em partilhar o fruto de suas opções musicais.

Daniel Pestana Mota, advogado

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